O
número de crianças migrantes e refugiadas em idade escolar no mundo cresceu 26%
desde o ano 2000, segundo um relatório divulgado hoje (19) pela Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que avalia o
impacto da movimentação de pessoas nos sistemas educacionais. O Relatório
de Monitoramento Global da Educação 2019 (GEM 2019) tem como tema
“Migração, Deslocamento e Educação: Construir Pontes, não Muros” e foi
divulgado nesta segunda na Alemanha.
De
acordo com o relatório, o direito dessas crianças a uma educação de qualidade,
apesar de ser reconhecido em discursos e em acordos, é desafiado diariamente
nas salas de aula e negado por alguns governos ao redor do mundo. Desde a
assinatura da Declaração de Nova York para refugiados e migrantes, em 2016,
refugiados em todo o mundo já perderam, somados, 1,5 bilhão de dias de aula em
todo o mundo.
Por
meio de um comunicado a imprensa, o diretor-geral da Unesco, Audrey Azoulay,
disse que o direito a uma educação de qualidade não serve somente ao interesse
das próprias crianças, mas também das comunidades em que vivem. “Aprendizado
não é um luxo. Todos perdem quando a educação de migrantes e refugiados é
ignorada. A educação é a chave para a inclusão e a coesão. É a melhor maneira
de tornar as comunidades mais fortes e resilientes”.
Segundo
a Unesco, metade das pessoas deslocadas à força no mundo tem menos de 18 anos.
Muitas delas são excluídas dos sistemas educacionais dos países para onde se
deslocam. Aqueles que buscam asilo em países como Austrália, Hungria,
Indonésia, Malásia e México, por exemplo, têm acesso limitado ou nenhum acesso
à educação.
O
relatório mostra que a proporção de estudantes imigrantes em países de alta
renda aumentou de 15% para 18% entre 2005 e 2017. A estimativa é que
representem 22% dos estudantes até 2030. Entretanto, o fato de crianças e
jovens imigrantes irem à escola não garante que estejam tendo boas chances de
sucesso. Em 2017, o dobro de jovens nascidos no exterior deixou a escola cedo
em comparação com os nativos na União Europeia.
“Os
países não podem pensar que o trabalho está feito, uma vez que os imigrantes
estão na escola. Eles estão sendo excluídos de muitas outras maneiras”, diz o
diretor do Relatório GEM 2019, Manos Antoninis.
O
Relatório GEM 2019 é o terceiro de uma série de 15 relatórios anuais que serão
lançados até 2030 para avaliar avanços do Objetivo de Desenvolvimento
Sustentável número 4, que trata de assegurar educação inclusiva, equitativa e
de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para
todos até 2030. No Brasil, o GEM 2019 será apresentado nesta terça-feira (20)
no Memorial da América Latina, em São Paulo (SP), às 13h30.
Agencia Brasil

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