A
manhã deste sábado, 11 de abril, foi marcada por um forte movimento de
conscientização e luta por direitos em Marabá. Dezenas de pessoas, a maioria
vestindo azul — cor símbolo da causa —, participaram da 4ª Caminhada pelo
Autismo. A ação, realizada anualmente pela Rede de Apoio a Mães e Pais Atípicos
(Rampa), teve como lema este ano: “Autonomia se constrói com apoio”.
A
concentração teve início às 8 horas, em frente à Secretaria de Saúde,
localizada à margem da rodovia BR-230, no Complexo Cidade Nova. Pouco antes das
9 horas, o grupo iniciou o trajeto pela rodovia em direção ao centro da Cidade
Nova, passando em frente à Câmara Municipal e a diversas empresas do comércio
local. O ponto de culminância, como já é tradição desde a primeira edição, foi
a Praça São Francisco.
Durante
todo o percurso, os participantes empunhavam cartazes e faixas com frases
alusivas ao movimento. Um carro de som acompanhava a multidão, transmitindo
mensagens ao público em geral sobre as motivações da caminhada, bem como as
lutas diárias e as demandas urgentes das famílias atípicas.
Para
garantir a segurança dos manifestantes, equipes da Polícia Rodoviária
Federal (PRF) e do Departamento Municipal de Trânsito e Transporte (DMTU)
balizaram o trânsito e acompanharam a caminhada até o destino final. Apesar do
esquema de segurança, o fluxo na rodovia gerou reflexos no trânsito pesado da
cidade, que apresentou tráfego lento durante a manhã.
Vozes
da mobilização
A
caminhada reuniu tanto veteranos da causa quanto pessoas que participavam pela
primeira vez. É o caso de Fátima Souza, mãe de um autista, que fez questão de
marcar presença. “Olha, essa turma está de parabéns, pois pouca gente é por
nós. Precisamos de todo o apoio e, principalmente, avançar com políticas
voltadas para esse atendimento. Não podemos nos calar”, declarou.
O
sentimento de urgência por mais inclusão também foi compartilhado por Augusto
Ferreira. “Conheci esse trabalho da Rampa já tem algum tempo e esse pessoal é
guerreiro. Eles vão atrás das coisas e estão conseguindo fazer um barulho bom.
Temos muito caminho pela frente pra chegar a um mundo mais inclusivo”,
comentou.
“O
nosso evento é uma forma simbólica de mostrar pra sociedade marabaense a nossa
força, a nossa luta, que estamos juntos reivindicando as nossas pautas
de sempre. Entre elas o apoio na escola, questões que envolvem medicação, apoio
especializado. A Rampa hoje é uma associação que luta por isso”, destaca Jane
Nascimento Bezerra, psicopedagoga.
A
Rampa conta com quase 100 associados, mas o movimento tem mais de 700 famílias
cadastradas, segundo explica Jane.
Vanessa
Matos Frazão tem filha autista e estava presente à caminhada. Ela lamentou, em
entrevista ao Correio, que Marabá ainda esteja atrasada no apoio às famílias
atípicas.
Evolução
do movimento
A
mobilização em Marabá vem ganhando força a cada ano. Na primeira edição,
realizada em 2 de abril de 2023 (Dia Mundial da Conscientização sobre o
Autismo), o evento reuniu mais de 300 pessoas sob o lema “Mais informação,
menos preconceito”. Naquela ocasião, a organização já destacava a importância
de mostrar à sociedade que “lugar de autista é em todo lugar”.
O
que é o TEA
O
Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição caracterizada por
comprometimento na comunicação e interação social, associado a padrões de
comportamento restritivos e repetitivos. Os sinais começam na primeira infância
e persistem por toda a vida.
A
condição acomete cerca de 1 a 2% da população mundial, com maior prevalência no
sexo masculino. As causas são multifatoriais, com grande influência genética e
participação de aspectos ambientais. O TEA pode vir acompanhado de outras
condições, como TDAH, depressão, epilepsia e deficiência intelectual.
O
tratamento é baseado em terapias de reabilitação direcionadas às necessidades
de cada indivíduo, envolvendo uma equipe multidisciplinar. O objetivo principal
é melhorar a funcionalidade social, as habilidades de comunicação e
proporcionar maior qualidade de vida e autonomia.
Com
informações de Josseli Carvalho/Portal Correio de Carajás