Iniciativa
revela etapas de apuração e checagem que antecedem a publicação de uma notícia.
A mobilização visa defesa da informação de interesse público
A
mobilização pelo Dia Mundial do Jornalismo, celebrado nesta segunda-feira (28),
reúne mais de cem veículos, entidades e profissionais no Brasil. Coordenada
pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), a iniciativa tem neste ano a
participação da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER). O Brasil 61
também participa da campanha.
O número
de adesões brasileiras é o maior desde o início da mobilização. Entre os
participantes, alguns prepararam ações específicas para a data, com conteúdos
editoriais, publicações nas redes sociais, distribuição
diferenciada de material impresso e outras atividades destinadas ao público.
A
campanha oferece conteúdos que podem ser reproduzidos ou adaptados de acordo
com o meio utilizado por cada participante. Entre os materiais estão anúncios
para versões impressas e digitais, banners, vídeos, peças para redes sociais,
cartoons e artigos de opinião.
Por que
Dia Mundial do Jornalismo?
Criada
internacionalmente sob o nome World News Day, a campanha recebeu no Brasil, há
quatro anos, a denominação Dia Mundial do Jornalismo. A opção busca deixar
claro que a proposta vai além da notícia que chega ao público.
O
objetivo é apresentar também o caminho percorrido até a publicação: quem
participa da produção, quais métodos são empregados e quais recursos são
necessários para transformar um fato ou informação em conteúdo jornalístico.
A
atividade envolve profissionais de diferentes áreas e uma série de
procedimentos. Apuração, entrevistas, consulta a documentos, checagem, análise
de dados, edição, revisão, fotografia e distribuição estão entre as etapas que
podem fazer parte da produção.
Nesse
sentido, a campanha procura discutir como o jornalismo é feito e quais
condições são necessárias para que essa atividade continue sendo realizada.
Recursos financeiros, profissionais qualificados, tempo, tecnologia e estrutura
fazem parte desse processo.
Para
Marcelo Rech, jornalista e presidente-executivo da ANJ, a manutenção de uma
imprensa profissional também depende de condições econômicas para o setor.
“Todos defendem a liberdade de imprensa, mas ela precisa, além de liberdade, de
uma imprensa robusta e economicamente saudável”, afirma.
Além de
uma data no calendário
A
iniciativa ocorre em meio a mudanças no cenário democrático internacional e a
desafios relacionados à liberdade de expressão e de imprensa.
Segundo
o Democracy Report 2026, elaborado pelo V-Dem Institute, da Universidade de
Gotemburgo, 74% da população mundial — aproximadamente seis bilhões de pessoas
— vive sob regimes autocráticos. A parcela que vive em democracias corresponde
a 26%.
O
levantamento aponta também 44 países em processo de autocratização. Juntos,
eles concentram 41% da população mundial, cerca de 3,4 bilhões de pessoas. Já
os processos de democratização são registrados em 18 países.
O
relatório também aponta deterioração das liberdades de expressão e de imprensa
em diferentes países e registra retrocessos em algumas democracias
consolidadas.
Nesse
contexto, a produção jornalística permite acompanhar decisões de governos,
fiscalizar instituições, acessar informações de interesse público e conhecer
diferentes pontos de vista sobre acontecimentos que afetam a sociedade.
A
atividade também contribui para o debate público ao disponibilizar informações
sobre direitos, políticas públicas e questões presentes no cotidiano da
população.
Funcionamento
do jornalismo
Uma das
frentes da campanha é justamente explicar o que acontece dentro das redações
antes de uma informação chegar ao público.
A
produção de uma reportagem pode começar com um acontecimento, uma denúncia, um
documento ou uma informação que precisa ser investigada. A partir daí,
jornalistas consultam fontes, buscam documentos, verificam dados e confrontam
diferentes versões.
O
material reunido passa então por etapas de seleção, contextualização, edição e
revisão. A apuração também não termina necessariamente com a publicação. Quando
um erro é identificado, o conteúdo deve ser reavaliado e corrigido. Em
situações que exigem, a redação informa o público sobre a alteração.
Ferramentas
digitais e novas tecnologias já fazem parte de diversas etapas desse processo.
Ainda assim, a responsabilidade pelo conteúdo publicado permanece com os
profissionais e as organizações jornalísticas.
Os
materiais desta edição da campanha tratam de temas como apuração, checagem,
edição, correção de erros, fotojornalismo, jornalismo local, sustentabilidade,
democracia, liberdade de expressão e os efeitos das novas tecnologias sobre a
informação.
Campanha
mundial
A
mobilização reúne mais de mil redações e organizações de comunicação em mais de
cem países. Jornais, revistas, sites, emissoras e outras empresas e
instituições do setor participam da iniciativa por meio de diferentes formatos
e ações.
A
mobilização internacional procura ampliar a discussão sobre a atividade
jornalística e sobre as condições necessárias para manter a produção de
informação de interesse público.
No
Brasil, a campanha reúne, além da ANJ e da ANER, veículos, profissionais,
entidades e instituições ligadas à comunicação. Com mais de cem participantes,
a edição deste ano registra o maior nível de adesão brasileira.
Com
informações de Marquzan Araújo/Agencia do Radio
Notícias com Credibilidade de Rio Maria, do Pará, do Brasil e do
Mundo, é aqui na Berokan FM.”