(A operação emergencial começou na
tarde desta segunda-feira (25), após a empresa Pipes iniciar oficialmente o
transporte fluvial no trecho da BR-230 afetado pela interdição total da ponte
que conecta os municípios de Araguatins (TO) e Palestina do Pará (PA))
Depois de quase um mês de incertezas e
transtornos, motoristas voltaram a cruzar o rio Araguaia entre o Pará e o
Tocantins por meio de balsas. A operação emergencial começou na tarde desta
segunda-feira (25), após a empresa Pipes iniciar oficialmente o transporte
fluvial no trecho da BR-230 afetado pela interdição total da ponte que conecta
os municípios de Araguatins (TO) e Palestina do Pará (PA).
A suspensão do tráfego sobre a estrutura,
determinada no mês passado por problemas de segurança, interrompeu um dos
principais corredores de circulação da região. Com a volta das balsas,
moradores e transportadores revivem um cenário que deixou de existir há mais de
uma década, desde a inauguração da ponte, em 2010.
Neste primeiro momento, a travessia ocorre
mediante pagamento direto pelos usuários. Entretanto, o Departamento Nacional
de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a própria empresa responsável pelo
serviço afirmam que está em andamento uma negociação para que o Governo Federal
assuma os custos da operação. A expectativa é que, futuramente, a travessia
passe a ser gratuita enquanto não há definição sobre uma solução permanente
para o trecho.
Pressão popular acelerou solução
A liberação das balsas ocorreu após dias de
mobilização de lideranças políticas, empresários e representantes da sociedade
civil de Araguatins. A pressão aumentou diante dos prejuízos causados ao
comércio regional, ao transporte de mercadorias e ao deslocamento de moradores
que dependem diariamente da ligação entre os estados.
Na última semana, movimentações às margens do
rio já indicavam que uma solução estava próxima. Máquinas pesadas foram vistas
trabalhando na abertura de acessos e na preparação das rampas de embarque e
desembarque, o que reforçou a expectativa de retomada do fluxo de veículos.
O ponto decisivo ocorreu durante uma reunião
realizada na quinta-feira (21), em Araguatins, reunindo diferentes setores da
cidade. Após o encontro, o prefeito Aquiles divulgou documento apontando que o
DNIT havia autorizado a empresa Pipes a iniciar o transporte fluvial mediante
cobrança tarifária dos próprios usuários.
De acordo com Juno Marzola, um dos
articuladores da mobilização, a autorização representou um avanço imediato
diante do impasse que travava a negociação. Segundo ele, a prioridade era
garantir o restabelecimento da travessia, ainda que provisoriamente em modelo
pago.
Além da liberação das balsas, representantes
locais também solicitaram ao DNIT uma avaliação técnica para verificar a
possibilidade de liberar parcialmente a ponte ao menos para veículos leves,
caso não existam riscos estruturais.
Divergência sobre custos travou acordo
A demora para implantação da solução
emergencial foi resultado de um desacordo financeiro entre o Governo Federal e
a empresa responsável pela operação. O DNIT defendia um modelo de travessia
gratuita para os usuários, subsidiada pela União, mas não houve consenso sobre
o valor do contrato a ser pago à concessionária.
Sem acordo imediato, a alternativa encontrada
foi autorizar temporariamente a cobrança direta dos motoristas e passageiros,
garantindo a retomada do deslocamento e reduzindo os impactos econômicos na
região.
Veja quanto custa atravessar
A empresa Pipes divulgou uma tabela com
valores variados conforme o tipo de veículo transportado. Passageiros,
pedestres, ciclistas e motociclistas pagam R$ 5. Automóveis e caminhonetes têm
tarifa de R$ 25, enquanto veículos com reboque possuem cobrança diferenciada.
No transporte de carga, os preços aumentam
conforme o tamanho e peso do veículo. Caminhões de menor porte pagam a partir
de R$ 43, enquanto carretas de até dez eixos podem chegar a R$ 294 na travessia
quando carregadas. Ônibus, micro-ônibus e máquinas pesadas também possuem
valores específicos definidos pela operadora.
O que deve acontecer daqui para frente
O futuro da ligação entre os dois estados
ainda é incerto. O DNIT reconheceu falhas estruturais graves na ponte e já
sinalizou que a alternativa mais provável pode ser a demolição seguida
da construção de uma nova estrutura.
A possibilidade preocupa moradores,
produtores rurais e comerciantes, já que o trecho é fundamental para o
escoamento da produção agrícola, abastecimento de cidades e acesso a serviços
de saúde, educação e comércio.
Enquanto isso, as balsas devem permanecer
como única alternativa de travessia. Até o momento, o Governo Federal ainda não
apresentou um cronograma oficial para obras definitivas no local.
Com informações do Portal Debate