MPPA FARÁ ESCUTA DE FAMÍLIAS DE VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA EM MARABÁ
Promotora Cristine Magela explica como será o encontro, prevê
orientação sobre processos e defende maior aproximação entre o Ministério
Público e familiares de vítimas
(Cristine: “Precisamos entender o que é que mais angustia, para a gente trazer essas famílias ao MP e ver o que podemos fazer para atender melhor: Fotos: Evangelista Rocha)
O
caminho até a Justiça pode ser longo para quem perdeu um familiar vítima da
violência. Mesmo quando há uma condenação, permanecem dúvidas sobre o andamento
do processo, o cumprimento da pena e a possibilidade de reparação. Para abrir
espaço a essas angústias e aproximar essas famílias do sistema de Justiça, o
Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) realiza, na próxima terça-feira
(20), em Marabá, o encontro “Mães que choram e lutam por Justiça”.
Em
entrevista ao Correio de Carajás, a promotora de Justiça Cristine Magela,
titular da 5ª Promotoria de Justiça Criminal de Marabá, explica que a proposta
vai além de uma reunião institucional. A intenção é ouvir familiares,
compreender as dificuldades enfrentadas por eles e identificar formas de
atuação do Ministério Público diante das demandas apresentadas.
“Eu
gostaria que realmente as famílias participassem. Não vai ser um momento
formal, vai ser um momento realmente para nós ouvirmos as famílias das vítimas
e poder entender”, afirma a representante do MPPA.
O
encontro será realizado das 8h30 às 12h, no auditório das Promotorias de
Justiça de Marabá, no núcleo Cidade Nova. A programação prevê uma roda de
conversa com a participação de Cristine, da presidente da Associação do
Ministério Público do Estado do Pará (AMPEP) Ana Maria Magalhães, de psicólogas
e de representantes da rede de atendimento envolvida na defesa dos
direitos das mulheres. Foram convidados cerca de 50 familiares de vítimas de
diferentes casos de violência.
Uma das
preocupações da iniciativa é lidar com a falta de informações que pode aumentar
o sofrimento de quem espera por respostas. Segundo Cristine, a equipe já fez
uma triagem dos processos relacionados às famílias convidadas. Durante a
atividade, serão distribuídos cartões com contatos para que os participantes
possam buscar informações sobre a fase em que cada procedimento se encontra.
A
promotora ressalta que a espera não termina necessariamente com uma decisão
judicial. Há diferentes etapas até a conclusão de um caso, e a percepção de que
a resposta foi insuficiente também pode gerar frustração entre os familiares.
“Após
sair uma condenação, ainda tem a angústia da pena. Muitas vezes, a família
sente que não foi totalmente reparada, que a pena foi muito baixa. Então, a
gente precisa explicar toda essa situação, como é que ocorre”, pontua.
Iniciativa
A
iniciativa surgiu de uma sugestão da promotora Ana Maria Magalhães, a partir de
experiências realizadas em outros municípios, como Castanhal e Altamira.
Cristine, que também integra a Diretoria da Mulher, considera importante trazer
a proposta para Marabá, cidade que atende uma extensa região e concentra
demandas relacionadas à violência.
A
atividade não se restringe a mães que perderam filhos. A proposta também
contempla pais e outros familiares de pessoas mortas em decorrência da
violência, além de situações envolvendo vítimas que sobreviveram, como casos de
lesão e tentativas de feminicídio.
Questionada
pela reportagem quais são os principais desafios enfrentados pela sociedade em
relação ao tempo de espera judicial, Cristine destaca que “às vezes, as
famílias das vítimas procuram advogados, procuram a Defensoria Pública, sem
saber que o Ministério Público está aqui justamente para fazer o seu papel, de
tutelar a vítima, os familiares”.
A ideia
é permitir que as famílias apresentem não apenas dúvidas processuais, mas
também medos, preocupações e dificuldades que nem sempre encontram espaço para
serem ouvidos.
Serviço: Encontro “Mães que choram e
lutam por Justiça”
Data: 20 de outubro de 2026
Horário: das 8h30 às 12h
Local: Auditório das Promotorias de
Justiça de Marabá, núcleo Cidade Nova
Com informações do Correio de Carajás
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