(O reitor Francisco Ribeiro detalha os próximos passos para a implantação do curso, incluindo a construção de um prédio próprio)
A criação do curso de graduação em Medicina na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) foi oficializada no último dia 27 de fevereiro, com a assinatura da portaria autorizativa pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante sua visita a Marabá. A aguardada graduação, um marco para a educação superior na região, terá início em 2027, com uma oferta inicial de 30 vagas anuais.As
informações foram divulgadas nesta segunda-feira (2), pelo reitor da instituição, professor Francisco
Ribeiro da Costa. Segundo o reitor, os próximos passos, após os investimentos
previstos é criar uma estratégia para garantir que o curso beneficie
diretamente a população local.
O
período restante deste ano até o início das aulas será crucial para a
estruturação do curso. Segundo o reitor, este tempo será empregado na adequação
de instalações, aquisição de equipamentos de ponta e, principalmente, na
consolidação do corpo docente.
De
acordo Francisco, a autorização do curso de Medicina levou dois anos. O MEC fez
várias visitas aqui, esteve nas instalações, nas salas de aula, nos
laboratórios onde serão ministradas as aulas e feitas as práticas, e também nos
hospitais aqui da região.
Local
esclarecido
De
acordo com a Portaria SERES/MEC, de 27 de fevereiro de 2026, o bacharelado em
Medicina será mantido pela Unifesspa em seu Campus de Marabá. O documento
oficial gerou certa confusão ao especificar o endereço como a Unidade I,
localizada na Folha 31 da Nova Marabá, prédio herdado da antiga estrutura da
Universidade Federal do Pará (UFPA).
O
reitor esclareceu que se tratou de um erro formal, já que o prédio da
Folha 31 funciona como o endereço postal oficial da universidade para
correspondências. “O curso funcionará no Campus III, onde hoje fica a sede da
instituição, na Cidade Jardim”, afirmou, confirmando que as atividades
acadêmicas ocorrerão em um dos andares do prédio multiuso, em frente ao
auditório principal.
Investimento e estrutura futura
O
projeto pedagógico do curso, enviado e aprovado pelo MEC, prevê um investimento
total de R$ 18 milhões. Este montante, que será liberado progressivamente ao
longo da formação da primeira turma, será destinado à montagem de laboratórios,
compra de equipamentos e todo o material necessário para o ciclo completo da
graduação.
“Esse
investimento não vai se dar de uma única forma, ele vai se dar ao longo da
caminhada da primeira turma, enquanto ela estiver rolando”, pontuou o reitor.
Além
da estrutura inicial, a Unifesspa planeja a construção de um prédio exclusivo
para a área da saúde. A futura faculdade abrigará não apenas Medicina, mas
também outros cursos relacionados.
“Provavelmente
vai ter um nome mais amplo, tipo Instituto de Ciências da Saúde, porque o
Ministério da Saúde, em 2025, fez um desafio à Unifesspa e a várias
universidades de instalar dois cursos prioritários: Terapia Ocupacional (TO) e
Fonoaudiologia”, revelou Francisco Ribeiro. A construção do novo prédio está
prevista para começar em 2027, com recursos oriundos da próxima edição do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal.
Vestibular
com foco regional
Um
dos pontos mais enfatizados pelo reitor foi a criação de um processo seletivo
que privilegie os estudantes da região. A universidade estuda mecanismos
como a aplicação de um bônus regional e a reserva de vagas para alunos de
escolas públicas para garantir que a maioria dos aprovados seja de Marabá e
cidades vizinhas.
O
objetivo é claro: formar médicos que permaneçam e atuem no sul e sudeste do
Pará, uma área com baixa relação de médico por habitante.
“Nós
vamos privilegiar quem é da região, porque não adianta nada a gente fazer esse
esforço danado para criar o curso de Medicina para ele ser preenchido por
pessoas lá do Sul, Sudeste do país. O nosso objetivo é garantir a entrada de
marabaenses e gente daqui”, declarou o reitor. Ele citou o exemplo da
Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém, que, ao adotar
medidas semelhantes, viu o número de aprovados da própria cidade saltar de dois
para 27 em um universo de 30 vagas.
“O
próprio Ministério da Saúde entende que, dada a baixa relação médico/mil
habitantes, é necessário que os médicos sejam daqui. A maior probabilidade de
ele fixar residência é ele sendo daqui”.
O
primeiro vestibular para Medicina na Unifesspa deve ocorrer antes do final de
2026, com as aulas da primeira turma iniciando em março de 2027.
Hospital
Universitário
A
implantação do curso de Medicina reacende o projeto de construção de um
Hospital Universitário (HU) em Marabá. O reitor explicou que a
autorização para um HU está condicionada à oferta de 100 vagas anuais no curso
de Medicina. A Unifesspa já iniciou as tratativas com o governo, e a Empresa
Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) realizou uma visita técnica que
confirmou a necessidade da unidade na cidade.
O
estudo da Ebserh também apontou as especialidades que o hospital deverá atender
prioritariamente: Neurologia, Cardiologia e Oncologia.
A
escolha visa complementar a rede de saúde já existente em Marabá e região, sem
competir com os hospitais já em funcionamento. “O hospital universitário não
vai concorrer com outros equipamentos de saúde, ele tem que ser complementar”,
frisou Francisco Ribeiro.
Articulação
e conquistas
A
visita do ministro Camilo Santana à Unifesspa não se resumiu à assinatura da
portaria. O reitor revelou que o ministro utilizou o gabinete da Reitoria para
atender prefeitos da região, como Josemira Gadelha, de Canaã dos Carajás, que
apresentou o campus da Unifesspa em seu município, impressionando a comitiva
ministerial e acelerando o processo de credenciamento da unidade.
Outra
conquista importante foi a garantia de recursos para a finalização de obras do
PAC na universidade. Dos R$ 46 milhões em obras, R$ 21 milhões já haviam sido
recebidos, e o ministro assegurou a liberação dos R$ 25 milhões restantes.
Além
disso, foi discutida a defasagem orçamentária da Unifesspa, que
atualmente é de quase R$ 11 milhões. Um grupo de trabalho foi montado para
reavaliar a matriz de distribuição de recursos do MEC, que historicamente
prejudica as universidades mais novas e em crescimento, localizadas, em sua
maioria, na periferia do Brasil.
“A
gente sai de 1.500 alunos para 7.000, mas o nosso orçamento não seguiu junto. A
gente sai de 10.000 m² para 70.000 m², mas o orçamento não acompanhou”,
lamentou o reitor, que vê na criação do grupo de trabalho uma esperança de
correção dessa distorção histórica.
A
criação do curso de Medicina, portanto, representa não apenas um avanço para a
saúde, mas também um passo fundamental para o fortalecimento e a consolidação
da própria Unifesspa no cenário nacional.
Com
Informações do Portal Correio de Carajás


