No Brasil, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio, em 2025. Neste ano, de janeiro a junho, 741 mulheres já foram assassinadas. O Pará é um dos estados em que houve crescimento desse tipo de crime.
(Foto: Divulgação)
Luiz
Junio de Jesus matou a ex-mulher, Ana Vera, de 46 anos, com um tiro, no Centro
de Abastecimento de Parauapebas, também conhecido como Feira do Produtor, no
Bairro Novo Horizonte. Em seguida, fugiu de moto e, horas depois, disparou
contra a própria cabeça, na margem do rio, próximo de um lixão. O suicídio,
antecedido de feminicídio, aconteceu na manhã desta sexta-feira (24).
Testemunhas
contaram à polícia que, antes de matar a mulher, logo cedo, Luiz foi até o box
em que ela trabalhava com a venda de peixes e houve uma acirrada discussão.
Depois do bate-boca, ele se retirou, mas retornou quando Ana atendia um freguês
e ambos se atracaram numa luta corporal, momento em que o homem sacou da arma e
matou a ex-mulher com um tiro.
Após
o feminicídio, Luiz montou na moto e saiu em disparada. Horas depois, a Polícia
Militar foi chamada, por pessoas que estavam na beira do rio, as quais
comunicaram ter ouvido um estampido de tiro, na direção do lixão do Bairro
Águas Frias. No local, os policiais militares constaram que se tratou de um
suicídio.
A
Polícia Civil foi comunicada, assim como a Polícia Científica, que, após o
levantamento do local e crime, providenciou a remoção do corpo de Luiz.
Brasil
bate recorde de feminicídios em 2025
O
Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série
histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na
quinta-feira (23). O total representa um aumento de 4% em relação a 2024 e
corresponde a uma taxa de 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres,
consolidando a tendência de crescimento desse tipo de crime no país e
confirmando o quarto recorde consecutivo do indicador.
De
janeiro a junho deste ano, mais de 700 mulheres já foram mortas
O
Brasil registrou 741 feminicídios entre janeiro e junho de 2026, uma redução de
2,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados
760 casos. Os dados constam do Monitoramento Nacional da Violência contra a
Mulher, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo
Ministério das Mulheres (MMULHERES) com base nas informações do Sistema
Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp VDE).
Na
comparação mensal, junho apresentou 108 registros, o menor número do primeiro
semestre de 2026. No acumulado do período, foram 19 casos a menos em relação ao
primeiro semestre de 2025.
A
análise por unidade da Federação mostra comportamentos distintos. Acre (AC),
Rondônia (RO), Roraima (RR), Piauí (PI), Maranhão (MA) e Pernambuco (PE)
registraram redução nos casos em comparação ao primeiro semestre do ano
anterior.
Houve
aumento em Goiás (GO), Santa Catarina (SC), Paraná (PR), Sergipe (SE), Amazonas
(AM) e São Paulo (SP), enquanto Bahia (BA), Espírito Santo (ES), Pará
(PA) e Tocantins (TO) mantiveram estabilidade no período.
Regionalmente,
as maiores reduções foram observadas nas regiões Norte (-20,0%) e Nordeste
(-19,9%). As regiões Centro-Oeste (+19,0%), Sul (+19,2%) e Sudeste (+2,6%)
registraram aumento no número de casos em relação ao primeiro semestre de 2025.
No consolidado nacional, a redução foi de 2,5%.
O
levantamento também apresenta a evolução dos registros ao longo de 2026. Na
comparação entre os dois primeiros trimestres do ano, observa-se redução de 59
casos, indicando queda dos feminicídios entre abril e junho em relação ao
período de janeiro a março.
Com
informações da CNN Brasil, Governo Federal e Zé Dudu