(pesquisa
diz que 78% afirmam ter sofrido ao menos um tipo de violência)
O
cenário de violência e insegurança leva quase a totalidade das mulheres (98%) a
adotar no dia a dia ao menos uma das medidas pesquisadas para reduzir o risco
de sofrer violência. Evitar determinados locais é a estratégia mais comum,
citada por 90% das entrevistadas.
Outras
medidas mostram o grau de vigilância incorporado à rotina: 88% evitam
compartilhar informações pessoais ou sua localização nas redes sociais, 84%
evitam usar o celular na rua, 83% avisam alguém sobre seus deslocamentos e
horários, e 83% evitam sair à noite.
As
mulheres também evitam o uso de aplicativos bancários no celular quando estão
na rua (80%), compartilham sua localização com pessoas de confiança (77%),
mudam trajetos habituais (69%), chamam carro ou moto por aplicativo para não
precisar andar pelas ruas (66%) e pedem para alguém acompanhá-las quando saem
de casa (66%).
Para
evitar situações de violência, 62% das mulheres já mudaram hábitos de lazer, e
58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam. Mais da metade (56%) já
preferiu utilizar algum meio de transporte em vez de ir a pé, mesmo quando o
destino era próximo. Além disso, 27% praticam ou já praticaram técnicas de
defesa pessoal, e 26% carregam itens de proteção pessoal, como spray de pimenta
ou alarme pessoal.
As
decisões relacionadas à vida profissional e acadêmica também são afetadas. A
pesquisa mostra que 45% das mulheres afirmam já ter deixado de aproveitar
oportunidades de trabalho ou estudo por causa do medo da violência. Além disso,
44% já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.
“Os
dados desta pesquisa confirmam algo que já vínhamos observando em nosso
trabalho cotidiano: a insegurança deixou de ser uma percepção pontual e se
transformou numa rotina de cálculos e renúncias silenciosas, em que quase todas
as mulheres brasileiras precisam evitar lugares, mudar trajetos, abrir mão do
lazer ou reconsiderar até uma oportunidade de trabalho por medo da violência”,
ressaltou a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira.
Poder
Público e eleições
A
pesquisa concluiu que, para as entrevistadas, a prevenção e o enfrentamento da
violência no dia a dia são responsabilidades que devem envolver diferentes
instituições públicas. As polícias Militar e Civil são apontadas por 73% das
entrevistadas como responsáveis por essa atuação, seguidas pelo governo federal
(69%), governo estadual (69%) e governo municipal (66%).
No
entanto, a maioria das mulheres avalia de forma negativa a atuação das
instituições no combate à violência. Entre os piores resultados estão os
representantes do Legislativo, com 74% de avaliação negativa, o governo
estadual (72%), o Poder Judiciário (71%) e o governo federal (71%).
Além
disso, para 78% das entrevistadas, as propostas de combate à violência contra
mulheres nas ruas e no transporte público influenciarão na decisão de voto nas
próximas eleições.
Para
Vera Vieira, os resultados da pesquisa mostram que a segurança das mulheres não
é uma pauta setorial, mas uma condição para o exercício pleno da cidadania.
“Por isso, reforçamos a urgência de políticas públicas que ampliem os canais de
denúncia, melhorem a infraestrutura das cidades e enfrentem as desigualdades
que sustentam esse cenário”, acrescentou.
Na
avaliação de 95% das entrevistadas, é importante ampliar os canais de denúncia
e apoio às vítimas de violência. A transformação dos espaços urbanos também
aparece com destaque, com 93% das mulheres indicando a importância de melhorar
a infraestrutura das cidades, incluindo transporte público, iluminação e
espaços públicos.
A
pesquisa aponta que 93% consideram importante criar e ampliar políticas
específicas de proteção às mulheres, com benefícios indiretos para os homens e
para a população em geral, e realizar esforços de prevenção, como medidas de
educação e mudança cultural.
Reduzir
as desigualdades sociais e econômicas como parte das estratégias de prevenção e
enfrentamento da violência foi outra medida apontada por 92% das mulheres.
Com informações
de Agência Brasil
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