(Wallisson Pereira de Sousa, de 29 anos,
conquistou mestrado em Engenharia Agronômica e Agroalimentar em universidade na
França. Ele nasceu e viveu a infância em Araguaína, região norte do Tocantins.)
(Foto: Arquivo Pessoal)
A
vontade de aprender inglês que surgiu com livros achados na lixeira de uma rua
em Araguaína,
aos 10 anos, levou Wallisson Pereira de Sousa, atualmente com 29 anos, a
conquistar o título de mestre em Engenharia Agronômica e Agroalimentar no
Instituto Politécnico UniLaSalle na França. Ele estuda idiomas desde a
adolescência e aprendeu a falar cinco línguas.
O
araguainense formalizou o título em uma cerimônia realizada na cidade francesa
de Rouen no final de abril. Em entrevista ao g1, ele conta que o mestrado
foi ministrado em inglês e a tese de mestrado foi desenvolvida em francês.
"Eu
chorei. Eu não conseguia me recompor. Quando desci do palco, a primeira coisa
que fiz foi ligar pra minha mãe, que em lágrimas, disse que estava orgulhosa de
mim. Ali foi o maior presente da minha vida. Ouvir isso dela que sempre foi tão
carinhosa mas discreta", diz.
Ele
conta que foi o primeiro da família a entrar em um avião, e que com o primeiro
salário que fez na França, comprou uma passagem para a irmã, Emilly Pereira de
Sousa, participar de sua formatura.
Ele
conta que foi o primeiro da família a entrar em um avião, e que com o primeiro
salário que fez na França, comprou uma passagem para a irmã, Emilly Pereira de
Sousa, participar de sua formatura.
Voando para a França
A
oportunidade para ir ao país francês surgiu após ele ser indicado pelos jovens
do intercâmbio para participar do programa de mobilidade acadêmica, mas foi
apenas depois da pandemia, em 2022, que ele embarcou para a França. "É um
programa internacional, pois a universidade tem alunos do mundo todo. Eu fui o
primeiro do Brasil nesse mestrado", explica.
A
princípio, o araguainense iria fazer cinco meses de estágio e outros cinco
dedicados aos estudos e voltaria para o Tocantins. Ele contou que o prazo
estava terminando, e decidiu pedir uma oportunidade para a diretora da
universidade e a responsável pelos alunos internacionais para continuar em
Rouen.
"Deu
certo. Mas precisaria renovar meu visto. Não conseguia renovar estando na
França, então recebi ajuda de custeio e retornei ao Brasil para renovar o visto
de estudante e aproveitei para ir ao Tocantins ver minha família. Voltei em
2023 [para a França] como bolsista, mas tive que fazer um empréstimo estudantil
para poder financiar minha vida", diz.
Wallisson
morou pelos dois anos seguintes em uma residência estudantil, em um quarto
pequeno em que dividia a cozinha com mais de 40 pessoas de diferentes países.
"Foi
bem difícil na verdade, não foi nada fácil. Mas eu estava avançando, estava
estudando muito mesmo. Aqui você precisa fazer um estágio em cada ano, e no
estágio final que são seis meses: eu fiz a minha tese de mestrado. Fiz todos os
estágios na França, exceto no quarto ano, que fiz em Madagascar",
relembra.
Wallisson
relata que dominou cinco línguas estudando com a ajuda de vídeos, livros e
conversação com nativos de outros países. Hoje, declara ser fluente em inglês,
francês, espanhol e italiano e intermediário em alemão.
Com informações de Shelen Assakawa, g1
Tocantins