(De
Marabá, a Cooperativa COREMA é um farol de inclusão, transformando o que muitos
chamam de 'lixo' em oportunidades, dignidade e um futuro mais verde para
dezenas de famílias paraenses.)
(Fotos:
Evangelista Rocha)
Neste
sábado (4), quando o mundo celebra o Dia Internacional do Cooperativismo,
Marabá tem motivos de sobra para comemorar. O município abriga 89 cooperativas
em atividade, segundo registros do setor, reunindo iniciativas que
movimentam a economia, geram emprego e promovem inclusão social. Entre elas, a
Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis (COREMA) se destaca por
transformar aquilo que muitos chamam de lixo em renda, dignidade e
sustentabilidade para dezenas de famílias.
O
que para muitos é o fim da linha, para a COREMA é apenas o começo de uma cadeia
viva de valor, energia e transformação social. Em uma entrevista ao
CORREIO, o presidente da cooperativa, Wesley Faustino Martins Lopes, revelou os
bastidores de um trabalho que vai muito além da coleta de materiais: trata-se
de um esforço diário para profissionalizar o setor, resgatar trabalhadores da
informalidade e colocar Marabá no mapa da sustentabilidade do Estado do Pará.
Com
21 pessoas atuando diretamente, a COREMA desdobra-se para cobrir os principais
pontos de Marabá. “O trabalho se divide entre a coleta fixa no shopping, uma
equipe de pessoas na coleta de rua e frentes de atuação que se estendem pela
Velha Marabá, Nova Marabá e São Félix, e aqui no nosso ponto fixo no Bairro
Coca Cola”, explica.
A
cooperativa está localizada no Bairro Nossa Senhora Aparecida (popularmente
conhecido como Coca-Cola) e redesenha o destino dos materiais descartados na
cidade, garantindo a dignidade de dezenas de famílias.
À
frente do projeto está Wesley Faustino, mineiro que reside na região há 15 anos
e com experiência anterior na cadeia da reciclagem em seu estado natal. Para a
reportagem ele conta que identificou no lixo de Marabá uma oportunidade de
transformação quando participava do Projeto de Economia Solidária e Criativa
Socio-comunitário.
“A Corema nasceu pela necessidade do
gerenciamento de resíduos sólidos que eu via na rua. Eu via os catadores
correndo atrás de sucata ferrosa com carrinho de mão, tudo de forma inadequada.
Quando surgiu o curso para abrir um empreendimento, olhei para o resíduo”,
relembra o presidente.
O
início da cooperativa no final de 2019 coincidiu com a pandemia de Covid-19, no
início de 2020, período em que muitas famílias locais perderam totalmente suas
fontes de subsistência.
A
estrutura atual é fruto de articulações e parcerias estratégicas. O maquinário
inicial (uma prensa de 15 toneladas) foi doado por investidores canadenses via
Fundação Vale, após a cooperativa passar por um processo de incubação. Hoje,
esse equipamento opera diretamente no Partage Shopping Marabá, um dos grandes
geradores parceiros, de onde os fardos de papelão já saem prontos para a sede.
Recentemente,
o processo ganhou o reforço de uma prensa enviada pelo Governo do Estado e de
novos equipamentos (como balança e paleteira) adquiridos por meio de um projeto
junto ao Ministério Público Estadual, financiado por verbas de multas
judiciais.
Atualmente,
o material chega à cooperativa por três canais principais: os catadores de rua
cooperados (muitos integrantes da própria diretoria), os médios e grandes
geradores, e uma parceria recente com o SSAM (Serviço de Saneamento Ambiental
de Marabá).
A
única exigência feita aos geradores é a separação básica entre o seco
(reciclável) e o molhado (orgânico/rejeito). O presidente ressalta que a
imposição de regras excessivamente rígidas poderia desencorajar a adesão em uma
cidade onde a cultura da reciclagem ainda está engatinhando.
Wesley enfatiza que a mudança de
mentalidade da população é o fator mais urgente para alavancar os índices de
reciclagem em Marabá. “Se a pessoa separar ‘lixo’ de ‘resíduo’, vai nos ajudar
muito. Lixo é o cultural, é aquilo que não tem valor agregado e cujo destino é
o aterro. Resíduo tem valor e pode ser reutilizado. Quando a população entende
isso, o material já chega pré-separado e o nosso trabalho melhora muito.”
Com informações do Correio
de Carajás