(Os manifestantes decidiram ocupar as instalações da empresa após ordem judicial para desocupação da área onde o protesto contra o decreto 12.600/25 ocorre desde 22 de janeiro.)
(Foto: Coletivo Apoena Audiovisual)
Indígenas
das região do baixo, médio e alto Tapajós, que há 31 dias bloqueiam o acesso de
veículos ao complexo portuário de Santarém, no
oeste do Pará, invadiram o terminal da multinacional do agronegócio (Cargill)
na madrugada deste sábado (21).
A
decisão, de acordo com os indígenas, foi tomada por falta de resposta do
governo federal à principal reivindicação do movimento, que é a revogação do
decreto assinado pelo presidente em 28 de agosto de 2025.
A
invasão também foi motivada pela ordem
de desocupação no prazo de 48 horas (a partir da notificação) da
área onde o protesto é realizado. Eles foram notificados por um oficial de
justiça às 08h de sexta-feira (20).
"Nossa decisão não foi impulsiva
nem violenta. Foi construída coletivamente, a partir da escuta dos mais velhos,
de análises jurídicas e políticas e da indignação diante do Decreto nº 12.600,
assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (...). Estamos aqui porque
defendemos o direito de existir. Durante trinta dias aguardamos posicionamento
oficial do Governo Federal", diz trecho da carta aberta do Conselho
Indígena Tapajós Arapiuns.
O
CITA diz que solicitou diálogo com a Presidência da República, a Casa Civil e o
Ministério dos Transportes sobre os impactos do decreto nos territórios
indígenas e nas comunidades tradicionais atingidas pelo chamado "Arco
Norte", mas que não houve resposta efetiva até este sábado.
Em
rede social, a liderança indígena Olisil Oliveira também explicou os motivos da
invasão, que segundo ele, ocorreu pacificamente, e afirmou que os indígenas só
deixarão o local quando presidente da republica revogar o decreto.
"E essa ocupação aconteceu de
forma pacífica, aonde os trabalhadores foram tirados, tiveram a oportunidade de
pegar seus pertences e sair daqui. Em nenhum momento houve agressão a esses
trabalhadores. E a gente vai continuar aqui até o presidente revogar o
decreto", disse Olisil Oliveira.
Imagens
do circuito interno da multinacional mostram que houve vandalismo, inclusive
com quebra de câmeras da empresa durante a invasão
Com
informações de Sílvia
Vieira, g1 Santarém




