Produção de leite libera hormônios que melhoram funções do coração
1º
de agosto
e vai até o dia 7 de agosto. O período faz parte do Agosto Dourado,
mês inteiro dedicado a incentivar o aleitamento materno no país.
(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
A
amamentação reduz em cerca de 11% a chance de a mulher desenvolver
uma doença cardiovascular em relação a mulher que não amamenta,
destaca a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
A
queda dos fatores de risco está ligada ao período de amamentação.
“As
publicações giram em torno de 18 meses de amamentação. A mulher que amamenta
por mais tempo tem também redução desses fatores de risco: 12% menos risco de
acidente vascular cerebral (AVC), 14% menos risco de infarto. Viu-se que a
amamentação traz essa proteção para a mulher”, destaca a vice-presidente do
Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita.
A
médica esclarece que isso não significa que a mulher que não amamenta tenha
risco aumentado para esse tipo de doença.
Durante
a gestação, a mulher sofre alterações hormonais, como alta da resistência
à insulina e elevação dos lipídios e do colesterol, principalmente do LDL
(colesterol ruim).
Já
na lactação ocorre um reset metabólico, uma espécie de
reinicialização do organismo, pois a produção de leite atua na regulação do
açúcar, ao melhorar o efeito sobre o metabolismo glicídico e aumentar
a sensibilidade à insulina; usa glicose do corpo, reduzindo o
risco de diabetes; e o alívio cardíaco, uma vez que reduz a pressão arterial e
diminui a frequência cardíaca da mãe, permitindo que o coração trabalhe com
menos esforço para bombeamento do sangue.
Liberação
de hormônios
O
período de lactação ativa a liberação de hormônios específicos, como a
ocitocina, a prolactina, os glicocorticoides, a grelina e o hormônio do
crescimento, que atuam como uma proteção ao miocárdio contra
possíveis lesões cardíacas.
Um
dos principais destaques é a ocitocina. Conhecido como o “hormônio do amor”, a
ocitocina protege o coração contra a falta de oxigênio por meio da ativação de
receptores cerebrais e de uma via que envolve estruturas responsáveis pela
geração de energia celular, oferecendo uma barreira extra de cardioproteção à
mãe.
“Tudo
isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede
interior das artérias. Também a liberação de oxitocina, nessa fase de lactação,
faz uma vasodilatação, melhorando a circulação dessa mãe. Então, as alterações
hormonais produzidas durante a gestação ficam meio que "resetadas" na
fase de lactação, que é o que vai causar realmente essa redução de riscos”,
explicou a médica, acrescentando que a resistência à insulina, se não for
controlada, pode evoluir para o diabetes.
A
Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta que, na gravidez, o corpo da mulher
acumula naturalmente reservas de gordura. A lactação utiliza esses
depósitos, o que reduz diretamente o risco de doenças cardíacas e um infarto.
Risco
alto para mulheres
Alexandra
Mesquita cita que as doenças cardiovasculares respondem por 33%
da mortalidade feminina, superior aos óbitos por câncer de mama.
“Ainda
se pensa que a maior causa de mortalidade feminina é câncer de mama, mas a
doença cardiovascular mata sete vezes mais que o câncer de mama”, disse.
A
maior parte dos fatores de risco - diabetes, pressão alta e sedentarismo - é
comum a homens e mulheres. No entanto, podem ser piores entre as
mulheres.
Porém,
há fatores de risco próprios do sexo feminino. Entre eles, por exemplo, a
cardiologista citou a primeira menstruação precoce (9 ou 10 anos) ou
tardia (15 e 16 anos); a menopausa precoce, com menos de 45 anos; endometriose;
ovários policísticos; uso de anticoncepcional oral; alterações da gravidez,
como hipertensão induzida pela gestação, diabete gestacional ou bebê
de baixo peso.
Dia
Internacional da Amamentação
Neste
sábado (1º), será comemorado o Dia Internacional da Amamentação. O tema da
Semana Mundial do Aleitamento Materno 2026 é “Amamentação para um começo de
vida sustentável: Fortaleça o que funciona.”
A
campanha global do Agosto Dourado é coordenada pela instituição World Alliance
for Breastfeeding Action (WABA) e tem como objetivo reforçar a importância de
proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para um futuro mais saudável
para crianças, famílias e comunidades.
A
pediatra Carmen Elias, idealizadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno
do Instituto de Educação Médica (Idomed), aponta dez benefícios da
amamentação para mãe e para a criança:
·
Proteção contra doenças
·
Recuperação pós-parto
·
Desenvolvimento infantil
·
Maior vínculo afetivo
·
Formação dos dentes
·
Fácil adaptação
·
Prevenção de tumores
·
Planejamento familiar
·
Construção de hábitos alimentares
·
Benefício financeiro, sem a necessidade de comprar
leites e suplementos infantis
Com
informações de Alana Gandra da Agência Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário
As opiniões expressas em materias, artigos e comentarios neste ambiente assim como em todo o portal são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento do Blog da Rádio Berrokan FM 104, 9.