Evento reuniu lideranças políticas, religiosas e populares
(Fotos: Paulo Pinto/Agência Brasil
Dez
anos após a morte brutal de Luana Barbosa, mulher lésbica, negra e periférica,
ainda não há nenhum envolvido preso ou condenado. E a 11ª Marcha das
Mulheres Negras de São Paulo fez questão de lembrar o crime nesta tarde de
sábado (25) em um evento na Praça Roosevelt, na região central da
capital paulista.
A
manifestação reuniu centenas de pessoas — que vieram de cidades vizinhas e de
diversos bairros paulistanos — lideranças políticas, feministas,
religiosas, artistas e representantes de movimentos da comunidade negra.
“Dez
anos se passaram e muitas Luanas Barbosas seguem morrendo, como a gente viu o
caso da Ieda e da Fabiana, duas mulheres negras e lésbicas que foram mortas em
São Paulo”, disse Juliana Gonçalves, membro e cofundadora do evento.
Luana
foi abordada e agredida por policiais militares, em abril de 2016, na rua onde
morava.
Para
a cofundadora, a população negra é negligenciada. "A gente toma
as ruas por direitos, reparação e bem viver, reparação porque o Estado
brasileiro nos deve, porque as mulheres negras levantam essa economia, fazem o
trabalho de cuidado que não é reconhecido e mesmo assim são as que menos ganham”.
A
abertura oficial do evento contou ainda com uma apresentação do coletivo Bando
das Macuas, com uma performance focada na ancestralidade:
“Nosso
trabalho é em cima do corpo e nossa fonte de inspiração é o povo Macuas,
presente no norte de Moçambique. Essa apresentação de hoje foi inspirada no
espetáculo que esteve em cartaz em 2024 e 2025 chamado ‘Anunciação’, onde
representamos figuras ancestrais reverenciando as mulheres que estão aqui
unidas em marcha”, explicou Francine Moura, uma das sete mulheres que compõem o
coletivo.
No
palco montado no meio da praça, duas DJs se revezaram nas pick-ups tocando rap
e hip hop. As temáticas das canções eram todas de protesto.
Mulheres
negras ligadas a religiões de matriz africana também participaram da marcha.
“Esse
é um país que a gente ajudou a construir. Precisamos mostrar que esse povo está
aí largado, sofrendo violência, apanhando, que não tem um lugar de fala dentro
do governo. Não se tem algo firme que possa garantir segurança para nós e
nossos filhos. Tem muita gente apanhando por causa da cor da pele, porque é de
candomblé, porque é de umbanda. Então, você vê que esse país não é assim tão
laico como se fala que é”, destaca Ìyalóde Marisa de Oya.
Entre
as mulheres que subiram ao palco estavam também lideranças da Rede de
Mulheres Negras Evangélicas, grupo que existe desde 2018.
Além
de São Paulo, a Marcha das Mulheres Negras ocorreu em outras cidades
brasileiras. Neste sábado, houve uma caminhada em Salvador (BA). Outra reunião
ocorreu nesta sexta-feira (24), no Recife (PE).
Com
informações da Agência Brasil
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