Número representa aumento de 3,6% em relação aos casos contabilizados em 2024; levantamento aponta que país registra trajetória de desaparecidos em ascensão
(Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil)
O Anuário de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de
Segurança Pública (FBSP), mostra que o Brasil registrou 84.269
desaparecimentos em 2025 – o que representa uma taxa de 39,5 casos por
100 mil habitantes. Em relação a 2024, o número cresceu 3,6%. Entre
as Unidades da Federação, Minas Gerais, Maranhão e Piauí apresentaram os
maiores aumentos nos registros entre 2024 e o ano passado.
Confira o crescimento no número de pessoas
desaparecidas nas 3 UFs:
·
Minas Gerais: 30,5%;
·
Maranhão: 29,8%;
·
Piauí: 20,5%.
O estudo ressalta que não é possível
relacionar diretamente o aumento dos desaparecimentos às disputas do tráfico de
drogas. Ainda assim, observa que Maranhão e Piauí aparecem em áreas apontadas
pela publicação Cartografias da Violência na Amazônia como regiões de disputa
entre organizações criminosas.
No entanto, Minas Gerais chamou atenção
por registrar a maior alta do país (30,5%), embora não tenha histórico recente
de disputas entre facções semelhante ao observado nos estados que também
lideram o ranking.
Na avaliação da entidade, o diagnóstico da
situação demanda uma articulação integrada entre as forças de segurança para
estruturar uma rede capaz de mapear as vulnerabilidades regionais que
justificam os resultados e propiciam oscilações nos registros em um curto
espaço de tempo.
Demais estados com aumento e recuo nas taxas
No estado do Pará, o percentual de aumento de
casos foi de 12,9% e no Rio Grande do Norte, de 11,6%. Todos as outras UFs
registraram aumentos menores do que 10%.
Quando considerados os números absolutos de
desaparecimentos, o estado de São Paulo lidera, com mais 17 mil casos em
2025 – considerando que é o estado
mais populoso do país, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). O Rio Grande do Sul teve 7.661 registros no ano
passado. Já Minas Gerais registrou mais de 6,6 mil desaparecidos
Entre os estados com redução nos
registros, o Amapá apresentou a maior queda (-8,9%), seguido por Mato Grosso
(-8,4%) e Sergipe (-7,4%).
Em 2025, foram registradas 61.305 pessoas
localizadas.
Desaparecimentos em ascensão
Segundo o levantamento, houve um período de
redução abrupta nos registros de pessoas desaparecidas, especialmente entre
2019 e 2020. No entanto, os dados do último anuário evidenciam uma tendência de
crescimento contínuo, considerando a taxa de quase 40,0 por 100 mil habitantes
em 2025.
O levantamento aponta que, após a queda
registrada entre 2019 e 2020 – período associado às restrições da pandemia e a
mudanças na dinâmica dos registros – os desaparecimentos voltaram a crescer a
partir de 2021, mantendo trajetória de alta até 2025.
“Os dados refletem defasagens nos sistemas de
registro e uma legislação que não comporta as distintas naturezas possíveis de
um desaparecimento. Distinguir o peso relativo desses fatores constitui um dos
principais desafios para a produção e análises de dados, e consequentemente
para a elaboração de protocolos de enfrentamento adequados”, diz um trecho do
anuário.
Perfil dos desaparecidos
Os indicadores apontam que a maioria dos
desaparecidos é do sexo masculino – que correspondem a 64,9% dos
casos e que a maior parcela das ocorrências se concentra na faixa etária
adulta, entre 18 e 59 anos, atingindo 64,4% do total.
Anuário Brasileiro de Segurança Pública
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é
integrado por informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública
estaduais, polícias civis, militares e federal, entre outras fontes oficiais da
Segurança Pública.
Retratando a Segurança Pública brasileira, é
uma ferramenta voltada a produzir conhecimento, incentivar a avaliação de
políticas públicas e promover o debate de novos temas na agenda do setor.
O documento completo pode ser acessado em www.forumseguranca.org.br.
Para acessar, é preciso clicar na aba publicações e, em seguida, em anuário. Os
dados podem ser baixados em dois formatos, em PDF e em formato de
planilha.
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