(Foto: Divulgação/Ag. Pará)
O
Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou, nesta quarta-feira (10), durante
audiência realizada em Brasília (DF), que não haverá qualquer perda de
território do Pará para Mato Grosso, questão já definida pela Corte. Convocado
pelo ministro Flávio Dino, o encontro reuniu a governadora Hana Ghassan, o
governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, o subprocurador-geral da
República, Paulo Jacobina, além de parlamentares e prefeitos dos dois Estados,
e abriu caminho para a construção de um acordo voltado ao fortalecimento da
prestação de serviços públicos e do atendimento à população dos municípios
localizados na região de divisa.
A
governadora Hana Ghassan destacou que o Pará não perderá seu território para o
Mato Grosso e que o diálogo entre os estados será fundamental para garantir
melhores condições de vida à população da região.
“O que ficou claro dessa audiência é
que nenhum palmo de terra do Pará será perdido e que, por se tratar de uma área
de divisa, outros temas devem ser dialogados entre os Estados para atender a
população como um todo, que tem que ser o foco principal de todos nós”,
afirmou.
Durante
sua manifestação, Hana ressaltou que o desenvolvimento do Pará está diretamente
ligado à segurança jurídica e aos investimentos realizados pelo Estado nos
últimos anos. Segundo ela, obras estruturantes de infraestrutura têm
fortalecido a integração territorial, impulsionado a economia e criado
condições para o crescimento sustentável em diversas regiões paraenses.
A
governadora também defendeu que qualquer debate sobre a implementação da
decisão do STF ocorra dentro dos limites já estabelecidos pela Corte,
garantindo tranquilidade aos produtores, preservação dos investimentos
realizados e respeito à legalidade. “O Pará veio aqui oferecer diálogo. A
cooperação produz soluções, a Justiça assegura estabilidade e a defesa do Pará
é um compromisso do qual jamais abriremos mão”, declarou.
O
ministro Flávio Dino ressaltou que a discussão deve avançar para além da
definição dos limites territoriais, abrangendo questões práticas que impactam
diretamente a vida da população. Segundo ele, temas como saúde, educação,
logística, regularização fundiária e tributação exigem soluções conjuntas entre
os estados.
“Nós precisamos caminhar na direção correta,
que é debater a questão técnica e também as questões relacionadas à prestação
de serviços essenciais aos cidadãos. São problemas que ultrapassam a dimensão
exclusiva de por onde uma linha deve ou não ser traçada”, afirmou.
Ao
longo da audiência, Flávio Dino também sinalizou a possibilidade de construção
de um acordo de cooperação entre Pará e Mato Grosso para reforçar a oferta de
serviços públicos à população que vive na região.
Disputa histórica
A
divisa entre os dois Estados foi demarcada ainda em 1922, e o Mato Grosso tenta
mudar o entendimento sobre esses limites territoriais. O tema já foi apreciado
pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em oportunidades anteriores, com decisões
unânimes - todas favoráveis ao Estado do Pará, e já transitadas em
julgado - a última, em maio de 2020.
A
histórica discussão, já definida pelo Supremo, envolve diferentes
interpretações sobre o marco geográfico conhecido como Salto das Sete Quedas.
Os limites entre o Pará e o Mato Grosso já foram tema da Comissão Rondon, em
1890; da Convenção de Petrópolis, em 1900 - quando os dois estados chegaram ao
consenso sobre o marco estabelecido para os limites -; e da Carta Geográfica do
Brasil, de 1922, que os definiu de forma precisa.
Em
2004, o Estado do Mato Grosso entrou com a ação pedindo a reavaliação da
decisão, alegando erros na localização do Salto das Sete Quedas. Após isso, o
Supremo tomou a decisão definitiva, em 2020, a favor do Pará.
Após
essa decisão, em fevereiro de 2021, o STF rejeitou, também por unanimidade,
embargos de declaração. Em setembro de 2023, o Supremo negou ação rescisória,
ajuizada pelo Estado do Mato Grosso. Em março de 2026, mais uma vez, a Corte
negou provimento a recurso interposto pelo Estado do Mato Grosso.
Com
informações de Igor Nascimento (SEMAS) e Ag. Pará
Nenhum comentário:
Postar um comentário
As opiniões expressas em materias, artigos e comentarios neste ambiente assim como em todo o portal são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento do Blog da Rádio Berrokan FM 104, 9.