EDUCAÇÃO E COOPERATIVISMO FEMININO LIDERAM A TRANSFORMAÇÃO NO SISTEMA PENITENCIÁRIO PARAENSE
(Além
de projetos de leitura e marcenaria, Seap destaca o sucesso da Coostafe, única
cooperativa social do país em funcionamento dentro de um presídio)
“Através
da leitura e do conhecimento, comecei a mudar a minha perspectiva de vida.
Quando minha família e amigos viram que eu verdadeiramente buscava essa
transformação, voltamos a ter uma boa convivência e me deram apoio. Mesmo há
muito tempo preso, estou conseguindo, dia após dia, ser alguém melhor através
do estudo. Isso me dá forças para continuar e ter novas oportunidades”,
conta.
Entre
os projetos desenvolvidos dentro do sistema prisional do Pará que promovem
qualificação, escolarização, reinserção social de detentos e a redução de
índices de reincidência criminal no Estado, estão: remição de pena pela
leitura; “Projetar o Futuro”; Educação de Jovens e Adultos (EJA); cursos
profissionalizantes; Educação à Distância (EAD); coral; ginástica laboral para
a terceira idade; e alfabetização. As atividades estão presentes em 48 unidades
prisionais distribuídas pelas doze regiões de integração do Estado, alcançando
23 municípios paraenses.
“Contamos
com um grande número de pessoas privadas de liberdade inseridas em iniciativas
educacionais. Hoje, por exemplo, estamos com quase três mil custodiados
participando da remição de pena pela leitura em quase todas as casas penais.
Também houve um grande avanço no Encceja e no Enem, que reforçam a nossa crença
de que, por meio da educação, realmente é possível ressocializar esses apenados
para que retornem ao convívio da sociedade”, reforça a coordenadora do projeto
de educação prisional da Seap, Patrícia Santos.
Em
2025, 12.898 pessoas privadas de liberdade participaram de atividades
educacionais no sistema prisional paraense. O custodiado Antônio Lima
participou de oficinas do projeto de marcenaria, que conta, atualmente, cerca
de 100 pessoas privadas de liberdade participando das atividades. Desde a
implantação do projeto, aproximadamente mil custodiados já passaram pela
iniciativa.
As oficinas produzem móveis em geral e peças de artesanato, atendendo demandas de diversos órgãos públicos. Desde a criação do projeto, estima-se que cerca de 100 internos tenham sido encaminhados para oportunidades de trabalho externas por meio da iniciativa. “Essa experiência representa uma grande oportunidade de aprendizado e de construção de novas perspectivas para a minha vida. Além de adquirir conhecimentos e desenvolver novas habilidades, acredito que ela contribui para o meu crescimento pessoal e para a preparação do meu futuro. Também pretendo atuar nessa área quando eu sair do cárcere”, diz.
A
egressa H.A, 47 anos, durante o período em cárcere, participou do curso de
soldador, promovido pela Seap, e hoje, após o cumprimento da pena, conquistou
um trabalho de carteira assinada. “Com apoio da instituição que me acolheu no
momento mais difícil da minha vida, estou empregada, levantei a cabeça de novo.
Com a força de Deus, estou me reerguendo. Só gratidão a todos, especialmente,
pela oportunidade de trabalhar e de reconstruir a vida”, finaliza.
Arte
- A Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe)
é apontada pela Seap como a primeira e única cooperativa em funcionamento
dentro de uma unidade prisional no Brasil. Ela funciona na Unidade de Custódia
e Reinserção Feminina (UCRF), em Ananindeua, e é considerada um dos principais
projetos de reinserção social desenvolvidos pela secretaria.
A
iniciativa atua na qualificação profissional, geração de renda e
ressocialização de mulheres privadas de liberdade, com a produção de peças nas
áreas de artesanato, moda e costura. Reconhecida nacionalmente como referência
em cooperativismo social, a Coostafe contribui para a construção de novas
oportunidades de autonomia e reintegração à sociedade.
Com
informações de Giovanna Abreu (SECOM) e Ag. Pará
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