(Ação pede R$ 1 milhão por danos morais coletivos e a conclusão do processo, que tramita há 17 anos. Segundo o órgão, a área já cumpriu todas as etapas legais, restando apenas a emissão do título.)
(Foto: Divulgação)
A
Defensoria Pública do Estado (DPE) entrou com uma ação na Justiça pedindo a
condenação do prefeito de Cametá,
Victor Correa Cassiano, ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos
por interferência ilegal na conclusão do processo de titulação quilombola
da comunidade Mupi-Torrão, no nordeste paraense.
A
ação foi protocolada na última quarta-feira (3) pela Defensoria Pública
Agroambiental de Castanhal e tem como principal
objetivo garantir a emissão do título coletivo de propriedade da área ocupada
pela comunidade.
Segundo
a Defensoria, o processo de regularização fundiária tramita desde 2009 e já
cumpriu todas as etapas técnicas, administrativas e jurídicas exigidas pelo
Instituto de Terras do Pará (Iterpa), restando apenas a emissão do documento
definitivo.
O g1 solicitou
um posicionamento ao prefeito Victor Correa Cassiano, ao Iterpa e ao município
de Cametá e aguarda retorno.
A
instituição destaca que estudos realizados pelo próprio Estado identificaram
mais de 150 famílias na área e registraram a presença histórica de populações
negras na região desde o século XVIII.
A
ação tramita na Vara Agrária de Castanhal e ainda não há decisão judicial sobre
os pedidos.
PEDIDOS À JUSTIÇA
A
ação civil pública solicita que a Justiça determine:
·
A conclusão da titulação pelo Iterpa em até seis meses;
·
A suspensão de qualquer procedimento fundiário sobre a
área;
·
A proibição de novas ações do município ou do prefeito
que dificultem o processo de titulação;
·
Condenação de Victor Correa Cassiano ao pagamento de R$ 1
milhão por danos morais coletivos
Caso
a indenização seja aceita pela Justiça, o valor deverá ser destinado à
Associação dos Remanescentes de Quilombo da Localidade Mupi para financiar
projetos socioambientais, socioeconômicos e de ordenamento territorial.
Histórico
do processo
De
acordo com a ação, o pedido de titulação foi protocolado pela comunidade há 17
anos. Desde então, foram realizados levantamentos cartográficos, estudos
socioeconômicos, análises ambientais, audiências e pareceres jurídicos.
Em
abril de 2024, o Iterpa homologou os atos do processo e determinou a confecção
do título coletivo para uma área de aproximadamente 70 hectares, mas o
documento ainda não foi emitido.
A
Defensoria afirma que, a partir de 2023, o Município de Cametá passou a adotar
medidas para questionar a regularização fundiária da área. Entre elas, a
abertura de procedimento administrativo para definição de uma suposta área
distrital e o envio de ofício ao Iterpa solicitando a suspensão da titulação
quilombola, sob alegação de interesse municipal.
Na
ação, a Defensoria sustenta que o prefeito ultrapassou as competências
constitucionais do município ao interferir em uma política fundiária
atribuída ao Estado do Pará.
A
petição também aponta que as condutas atribuídas ao gestor provocaram
constrangimentos, insegurança jurídica e conflitos internos na comunidade
quilombola.
O
documento menciona ainda uma reunião realizada no Iterpa em julho de 2024, na
qual foram registrados questionamentos do prefeito sobre o reconhecimento
quilombola da área e sobre a atuação da associação comunitária.
Para
a Defensoria, a demora de quase duas décadas na conclusão do processo viola o
direito constitucional das comunidades quilombolas ao território tradicional e
o princípio da duração razoável dos processos administrativos.
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