quarta-feira, 8 de abril de 2026

BYD, AMADO BATISTA E FAZENDAS DO PARÁ ENTRAM NA LISTA SUJA DO TRABALHO ESCRAVO

(Atualização do Ministério do Trabalho incluiu 613 empregadores e destacou operações em São Félix do Xingu)


(Foto: Wellyngton Souza/Sesp-MT)

O Pará registrou a inclusão de cinco novos empregadores na atualização mais recente da “lista suja” do trabalho escravo, publicada pelo governo federal nesta segunda-feira (6). O monitoramento oficial identificou 38 trabalhadores submetidos a condições degradantes em propriedades rurais situadas em diferentes regiões do estado.

São Félix do Xingu concentrou o maior número de ocorrências locais, com flagrantes realizados em três fazendas distintas da localidade. Somadas às operações em Altamira e Pacajá, as fiscalizações revelaram a persistência da exploração humana em atividades econômicas.

No panorama brasileiro, o cadastro recebeu o acréscimo de 169 nomes, totalizando agora 613 empregadores que respondem por práticas análogas à escravidão. Esse novo balanço nacional é resultado de ações integradas que permitiram o resgate de mais de 2.200 pessoas em todo o território.

O histórico de fiscalização no Pará demonstra um cenário crítico, acumulando pelo menos 156 trabalhadores resgatados quando consideradas as listas de períodos anteriores. Cidades como Dom Eliseu, Itaituba e Novo Progresso figuram no relatório em setores que variam da pecuária à exploração de carvoarias.

O Ministério do Trabalho e Emprego realiza essa divulgação semestralmente após o encerramento de todos os processos administrativos e recursos legais. A medida busca oferecer transparência à sociedade e fortalecer o combate direto à violação dos direitos trabalhistas fundamentais no país.

Caso BYD e Amado Batista

A inclusão da montadora chinesa no cadastro ocorreu após uma operação de resgate de 220 operários em Camaçari no final de 2024. O grupo, composto por cidadãos chineses, trabalhava na construção da nova unidade industrial em condições degradantes de alojamento e higiene. Vigilantes armados monitoravam o local para impedir a saída dos operários, configurando restrição de liberdade.

As investigações revelaram que os passaportes dos estrangeiros eram retidos para forçar o cumprimento de jornadas exaustivas sem folgas semanais. O cansaço extremo provocado pela falta de descanso chegou a causar acidentes de trabalho graves com maquinário no canteiro de obras. Além disso, as autoridades identificaram que os vistos utilizados eram incompatíveis com as funções braçais desempenhadas pelos trabalhadores.

A BYD atribuiu as irregularidades à construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil e rescindiu o contrato com a prestadora de serviços imediatamente. Em nota oficial, a empresa declarou que não tolera violações à dignidade humana e providenciou a transferência dos operários para hotéis. No desfecho jurídico, a montadora firmou um acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho para encerrar a ação civil pública.

O cantor Amado Batista foi relacionado a duas autuações distintas localizadas em Goianápolis por ocorrências registradas no ano de 2024. Os registros oficiais citam dez trabalhadores no Sítio Esperança e outros quatro funcionários vinculados ao Sítio Recanto da Mata. Em resposta, a assessoria do artista negou veementemente qualquer resgate de pessoal e classificou as informações como inverídicas.

A defesa do cantor esclareceu que as irregularidades de contratação identificadas envolveram apenas quatro colaboradores de uma empresa terceirizada. Segundo o posicionamento oficial, as falhas ocorreram durante o preparo do solo em uma área arrendada para o cultivo de milho. Um Termo de Ajuste de Conduta foi assinado junto ao Ministério Público do Trabalho para a quitação integral das obrigações pendentes.

Quanto à infração no Sítio Esperança, a nota técnica afirma que foram solicitadas apenas melhorias estruturais nas moradias e áreas comuns. O artista garante que todas as reformas exigidas pela fiscalização já foram concluídas e os funcionários seguem com registros regulares. Medidas administrativas estão sendo adotadas para contestar as autuações e encerrar definitivamente os procedimentos jurídicos sobre os fatos.

Com informações da Agencia Brasil e portal Gazeta Carajás

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