(Atualização do Ministério do Trabalho incluiu 613 empregadores e destacou operações em São Félix do Xingu)
(Foto: Wellyngton Souza/Sesp-MT)
O
Pará registrou a inclusão de cinco novos empregadores na atualização mais
recente da “lista suja” do trabalho escravo, publicada pelo governo
federal nesta segunda-feira (6). O monitoramento oficial identificou 38
trabalhadores submetidos a condições degradantes em propriedades rurais
situadas em diferentes regiões do estado.
São
Félix do Xingu concentrou o maior número de ocorrências locais, com flagrantes
realizados em três fazendas distintas da localidade. Somadas às operações em
Altamira e Pacajá, as fiscalizações revelaram a persistência da exploração
humana em atividades econômicas.
No
panorama brasileiro, o cadastro recebeu o acréscimo de 169 nomes, totalizando
agora 613 empregadores que respondem por práticas análogas à escravidão. Esse
novo balanço nacional é resultado de ações integradas que permitiram o resgate
de mais de 2.200 pessoas em todo o território.
O
histórico de fiscalização no Pará demonstra um cenário crítico, acumulando pelo
menos 156 trabalhadores resgatados quando consideradas as listas de períodos
anteriores. Cidades como Dom Eliseu, Itaituba e Novo Progresso figuram no
relatório em setores que variam da pecuária à exploração de carvoarias.
O
Ministério do Trabalho e Emprego realiza essa divulgação semestralmente após o
encerramento de todos os processos administrativos e recursos legais. A medida
busca oferecer transparência à sociedade e fortalecer o combate direto à
violação dos direitos trabalhistas fundamentais no país.
Caso
BYD e Amado Batista
A
inclusão da montadora chinesa no cadastro ocorreu após uma operação de resgate
de 220 operários em Camaçari no final de 2024. O grupo, composto por cidadãos
chineses, trabalhava na construção da nova unidade industrial em condições
degradantes de alojamento e higiene. Vigilantes armados monitoravam o local
para impedir a saída dos operários, configurando restrição de liberdade.
As
investigações revelaram que os passaportes dos estrangeiros eram retidos para
forçar o cumprimento de jornadas exaustivas sem folgas semanais. O cansaço
extremo provocado pela falta de descanso chegou a causar acidentes de trabalho
graves com maquinário no canteiro de obras. Além disso, as autoridades
identificaram que os vistos utilizados eram incompatíveis com as funções
braçais desempenhadas pelos trabalhadores.
A
BYD atribuiu as irregularidades à construtora terceirizada Jinjiang
Construction Brazil e rescindiu o contrato com a prestadora de serviços
imediatamente. Em nota oficial, a empresa declarou que não tolera violações à
dignidade humana e providenciou a transferência dos operários para hotéis. No
desfecho jurídico, a montadora firmou um acordo de R$ 40 milhões com o
Ministério Público do Trabalho para encerrar a ação civil pública.
O
cantor Amado Batista foi relacionado a duas autuações distintas localizadas em
Goianápolis por ocorrências registradas no ano de 2024. Os registros oficiais
citam dez trabalhadores no Sítio Esperança e outros quatro funcionários
vinculados ao Sítio Recanto da Mata. Em resposta, a assessoria do artista negou
veementemente qualquer resgate de pessoal e classificou as informações como
inverídicas.
A
defesa do cantor esclareceu que as irregularidades de contratação identificadas
envolveram apenas quatro colaboradores de uma empresa terceirizada. Segundo o
posicionamento oficial, as falhas ocorreram durante o preparo do solo em uma
área arrendada para o cultivo de milho. Um Termo de Ajuste de Conduta foi
assinado junto ao Ministério Público do Trabalho para a quitação integral das
obrigações pendentes.
Quanto
à infração no Sítio Esperança, a nota técnica afirma que foram solicitadas
apenas melhorias estruturais nas moradias e áreas comuns. O artista garante que
todas as reformas exigidas pela fiscalização já foram concluídas e os
funcionários seguem com registros regulares. Medidas administrativas estão
sendo adotadas para contestar as autuações e encerrar definitivamente os
procedimentos jurídicos sobre os fatos.
Com
informações da Agencia Brasil e portal Gazeta Carajás
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