ÁREA DISPUTADA POR GOIÁS E TOCANTINS É VISTORIADA POR EQUIPE DA PGE
(Comitiva
percorreu região do Quilombo Kalunga dos Morros, ouviu moradores e coletou
dados técnicos para ação que discute território de 12,9 mil hectares. Audiência
de conciliação está marcada para 6 de abril.)
(Foto: Divulgação/PGE – GO)
Uma
equipe da Procuradoria-Geral do Estado de Goiás (PGE-GO) realizou uma vistoria
na área de divisa entre Goiás e Tocantins que é alvo de disputa judicial no Supremo Tribunal Federal (STF).
A visita ocorreu na última sexta-feira (27) e teve como objetivo atualizar
informações técnicas, verificar a ocupação do território e ouvir moradores
da região do Quilombo Kalunga dos Morros, em Cavalcante, no nordeste goiano.
A
área em disputa tem cerca de 12,9 mil hectares e inclui o Complexo do Prata, um
dos principais atrativos turísticos da Chapada dos Veadeiros. Como mostrou
o g1,
o território passou a ser alvo de uma disputa mais intensa nos últimos anos,
após a instalação de estruturas e a ampliação da presença do estado do
Tocantins na região.
Segundo
o Governo de Goiás, a ocupação seria irregular e decorrente de um erro
cartográfico identificado em um mapa do Exército produzido em 1977, que teria
alterado a referência natural utilizada para definir a divisa entre os estados.
Vistoria
e ação no STF
A
comitiva foi liderada pelo procurador-geral do Estado, Rafael Arruda, e
contou com a participação de técnicos do Instituto Mauro Borges (IMB). Durante
a visita, o grupo percorreu pontos estratégicos da divisa, analisando marcos
territoriais, elementos cartográficos, cursos d’água e possíveis alterações de
ocupação que possam interferir na delimitação entre Goiás e Tocantins.
Além
do levantamento técnico, representantes do governo estadual dialogaram com
moradores e lideranças locais, que relataram dúvidas e insegurança sobre
a definição do território e a continuidade de serviços públicos na região.
As
informações coletadas serão consolidadas em um relatório técnico que deve
subsidiar a atuação de Goiás na Ação Cível Originária (ACO) 3734, em tramitação
no STF.
“A
ação representa o restabelecimento da verdade geográfica e jurídica sobre o
território”, afirmou o procurador-geral Rafael Arruda.
O
Supremo Tribunal Federal marcou para o dia 6 de abril uma audiência de
conciliação entre Goiás e Tocantins. A expectativa é que o encontro
ajude a definir os próximos encaminhamentos do processo e avance na delimitação
oficial da divisa.
Durante
a visita, o prefeito de Cavalcante, Vilmar Kalunga, também acompanhou a
comitiva e apresentou os impactos da disputa para o município, especialmente em
relação à perda de registros populacionais e dificuldades na execução de
políticas públicas.
Erro
cartográfico e avanço da disputa
De
acordo com a ação movida pelo Governo de Goiás, a origem do conflito está em um
erro na Carta Topográfica “São José”, elaborada pela Diretoria de Serviço
Geográfico do Exército Brasileiro em 1977.
Segundo
a PGE, o documento teria confundido o Rio da Prata com o Córrego Ouro Fino,
deslocando a linha divisória para dentro de uma área que historicamente
pertence a Goiás. Como o Tocantins foi criado apenas em 1988, a divergência
passou a ter efeitos práticos apenas anos depois, com a ocupação administrativa
da região.
Nos
últimos anos, moradores e lideranças locais passaram a relatar maior presença
do estado do Tocantins na área, com oferta de
serviços públicos, promessas de infraestrutura e instalação de estruturas como
um portal turístico no Complexo do Prata.
Esse
movimento intensificou a disputa territorial e ampliou a sensação de
indefinição entre as comunidades locais, que passaram a conviver com ações
simultâneas dos dois estados em uma mesma região.
Com
informações de Bárbara França/G1 Goiás
Nenhum comentário:
Postar um comentário
As opiniões expressas em materias, artigos e comentarios neste ambiente assim como em todo o portal são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente representam o posicionamento do Blog da Rádio Berrokan FM 104, 9.