(Trem de passageiros da Estrada de Ferro Carajás só volta a operar nesta quinta-feira e negociações sobre questões ambientais vão continuar no dia 26 deste mês)
(Fotos: Reprodução)
Depois
de quatro dias de interdição, os povos indígenas da Terra Indígena Mãe
Maria, em Bom Jesus do Tocantins, a 5 Km de Marabá, desocuparam a Estrada de
Ferro Carajás (EFC) na madrugada desta terça-feira (17), permitindo a retomada
gradual das operações ferroviárias na região.
Por
volta de 2 horas da madrugada, um acordo finalmente foi costurado e as
lideranças das 49 comunidades da Terra Indígena aceitaram a proposta da Vale de
pagar R$ 50 milhões em duas parcelas – a primeira a ser depositada na próxima
segunda-feira (23) e a segunda após 30 dias. Os valores são em função da
Licença de Operação para duplicação da Estrada de Ferro Carajás ao longo do
trecho da Terra Indígena Mãe Maria.
Um
novo acordo sobre o PBA (Plano Básico Ambiental) deve ser costurado a partir do
dia 26 deste mês entre vale e as associações das comunidades indígenas, visando
à melhoria sobre saúde, educação, atividade produtiva e vigilância territorial
da TI Mãe Maria.
Em
nota à imprensa, a Vale informou que, após a liberação da via, equipes técnicas
realizaram inspeções ao longo do trecho afetado e executaram os serviços de
manutenção necessários para garantir a segurança da circulação dos trens.
Apesar disso, o trem de passageiros segue suspenso nesta terça-feira e só
deverá voltar a operar na quinta-feira (19).
A
interdição foi promovida pelo povo Gavião, que ocupa a Terra Indígena Mãe
Maria, como parte de uma mobilização em defesa do território, dos recursos
naturais e dos direitos originários assegurados pela Constituição Federal.
Em
manifesto, a comunidade indígena destacou que há décadas convive com impactos
provocados pela ferrovia, que corta a área tradicional. Entre os problemas
apontados estão a poluição de rios, o aumento do ruído, a degradação
ambiental e consequências diretas sobre o modo de vida das aldeias.
Os
indígenas também afirmam que não há atualmente um termo de compromisso vigente
entre o povo Gavião e a Vale. Segundo eles, estudos técnicos indicam
irregularidades e possíveis contaminações ambientais associadas à operação da
ferrovia dentro do território.
A
mobilização teve como uma de suas principais pautas a retomada de um
convênio institucional com a empresa, com o objetivo de estabelecer medidas de
mitigação dos impactos, definição de responsabilidades e garantia de proteção
às comunidades indígenas.
Lideranças
locais reforçaram o caráter coletivo do movimento. “Nossa luta não é apenas A
desinterdição encerra, ao menos por ora, um dos episódios mais recentes de
tensão envolvendo a operação da Estrada de Ferro Carajás dentro da Terra
Indígena Mãe Maria, um tema recorrente de debate entre comunidades
tradicionais, empresa e órgãos públicos.
Com
informações do portal Correio de Carajás

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