(A mobilização protesta contra a Lei nº 10.266/26, que institui o novo Estatuto dos Servidores Municipais)
(Foto: Carmem Helena / O Libera)
Os
trabalhadores e trabalhadoras da Assistência Social de Belém realizaram, nesta
segunda-feira (26), um panfletaço na área do Ver-o-Peso e uma caminhada até o
Palácio Antônio Lemos, marcando o oitavo dia da greve da categoria. A
mobilização protesta contra a Lei nº 10.266/26, que institui o novo Estatuto
dos Servidores Municipais e é apontada pelos grevistas como prejudicial aos
direitos trabalhistas e ao funcionamento do Sistema Único de Assistência Social
(SUAS).
A
greve foi deflagrada em 19 de janeiro, em caráter de emergência. Segundo os
servidores, o novo Estatuto, aprovado pela Câmara Municipal, representa um
ataque direto às condições de trabalho e à qualidade do atendimento prestado à
população usuária da política de assistência social.
O
ato do oitavo dia de greve teve como objetivo dialogar diretamente com a
população sobre os impactos das mudanças na política de assistência social e
unificar forças com trabalhadores da Educação, que também enfrentam conflitos
com a gestão municipal. A categoria reafirma que a mobilização seguirá até que
haja abertura efetiva de diálogo e revisão das medidas aprovadas.
Vice-presidente
do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras da Assistência Social
(Sintsuas), Gualdina Leite disse que a mobilização começou com uma concentração
no Solar da Beira, seguida da distribuição de panfletos explicando os motivos
da paralisação. Entre as principais denúncias está a ausência da Prefeitura de
Belém na condução e no suporte aos serviços da assistência social.
Um
dos problemas mais graves, segundo o sindicato, foi o encerramento do contrato
com as empresas responsáveis pelo fornecimento de veículos
utilizados pelas equipes técnicas. A falta de carros afeta diretamente serviços
essenciais, como o transporte de crianças acolhidas em abrigos para escolas e
atendimentos médicos, especialmente às vésperas do início do ano letivo. “Isso
é terrível porque, pra semana, já começam as aulas. E temos pelo menos 12
crianças acolhidas em abrigos e não tem como levar”, disse. “A assistência
atende crianças, adultos e famílias em situação de vulnerabilidade. Sem os
veículos, não há como realizar visitas técnicas, levar acolhidos ao médico ou
garantir o acompanhamento adequado”, afirmou Gualdina Leite.
A
categoria também criticou a exoneração de cargos de Direção e Assessoramento
Superior (DAS) que coordenavam os 12 Centros de Referência de Assistência
Social (CRAS), os Centros de Referência Especializados de Assistência Social
(CREAS) e os abrigos municipais. Ainda segundo Gualdina Leite, mesmo com a
greve, os serviços de alta complexidade, como os abrigos, continuam funcionando
por compromisso dos profissionais, mas sem coordenação administrativa. “As
pessoas estão trabalhando porque gostam do que fazem, mas não tem nenhum
comando”, disse.
Com
informações de Dilson Pimentel e Maiza Santos, O Liberal
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