(Episódio de 1996 deixou 19 mortos e se tornou símbolo da luta pela terra, enquanto conflitos agrários persistem e mudam de perfil, afetando povos tradicionais.)
(Fotos: Evangelista Rocha)
Trinta anos após o Massacre de Eldorado dos
Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, o Brasil ainda registra níveis
persistentes de violência no campo. Dados da Comissão Pastoral da Terra indicam
que, desde aquele episódio, o país soma 1.149 mortes em conflitos agrários, o
equivalente a uma morte a cada dez dias.
O massacre, que aconteceu no município de Eldorado
dos Carajás, no sudeste do Pará, deixou 19 trabalhadores rurais mortos no
momento da ação policial, além de dezenas de feridos. Outras duas vítimas
morreram posteriormente em decorrência dos ferimentos. O episódio se tornou um
marco na história recente da luta pela terra no Brasil e passou a simbolizar a
gravidade dos conflitos fundiários no país.
Mesmo após três décadas, os conflitos agrários
seguem recorrentes e com números elevados. Levantamentos recentes apontam que o
Brasil ultrapassa a marca de 2 mil ocorrências por ano desde 2020, evidenciando
a permanência das disputas por terra, especialmente em regiões como o sudeste
do Pará.
Os dados também mostram mudanças no perfil da
violência. Se antes os principais atingidos eram trabalhadores sem-terra e
posseiros, atualmente há crescimento de ataques contra povos indígenas,
quilombolas e comunidades tradicionais, que passaram a figurar entre as
principais vítimas desses conflitos.
Outro aspecto apontado por especialistas é a
transformação na dinâmica da violência, que deixou de ocorrer
majoritariamente em grandes episódios isolados e passou a se manifestar de
forma mais contínua, com confrontos localizados em diferentes regiões do país.
O Massacre de Eldorado dos Carajás segue como
símbolo dessa realidade e mantém viva a discussão sobre reforma agrária, acesso
à terra e políticas públicas voltadas ao campo, temas que continuam presentes
no cenário nacional três décadas depois do episódio.
Hoje, sexta-feira (17), uma equipe do Correio de
Carajás está na Curva do S, em Eldorado do Carajás, para acompanhar as ações
que marcam o massacre ocorrido em 17 de abril de 1996.
Com informações do Portal Correio de Carajás
