(A Aena recomenda que
os passageiros afetados entrem em contato com a companhia aérea para mais
informações.)
Indígenas bloqueiam o acesso ao aeroporto de Altamira, no sudoeste do Pará, nesta
segunda-feira (16). Cerca de 200 pessoas participam do protesto contra o
projeto de mineração de ouro da empresa Belo Sun, na Volta Grande do Xingu.
O ato faz parte da mobilização iniciada em
fevereiro por grupos que ocupam a sede regional da Fundação
Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no município.
De acordo com o Movimento de Mulheres Indígenas do
Médio Xingu, o bloqueio do acesso ao aeroporto busca pressionar os órgãos
competentes a cancelarem a licença de instalação do empreendimento e
a retirarem definitivamente a mineradora da região. A empresa Belo Sun diz que
as atividades seguirão as condicionantes do licenciamento ambiental (veja mais
abaixo).
“Estamos na Funai e no aeroporto. Queremos que essa
empresa vá embora daqui. Nossas crianças e idosos estão doentes, então não
vamos arredar o pé”, afirma Sol Juruna, que participa do movimento.
Os manifestantes afirmam que pretendem manter o
bloqueio até o fim do dia e depois retornar à sede da Funai, onde seguem com a
ocupação. Segundo o grupo, o acesso ao aeroporto pode voltar a ser bloqueado
nos próximos dias.
A concessionária responsável pela gestão do
aeroporto de Altamira, a Aena, informou por meio de nota que um pouso e uma
decolagem foram suspensos de forma preventiva em função da manifestação e que a
empresa acionou as autoridades para que medidas cabíveis fossem tomadas.
A Aena recomenda que os passageiros afetados entrem
em contato com a companhia aérea para mais informações.
Ocupação da Funai
A ocupação da sede da coordenação regional da Funai
no município iniciou em 23 de fevereiro por mais de cem indígenas das etnias
Juruna, Xikrin, Xipaya, Kuruaya e Arara. O grupo pede a suspensão da licença de
instalação do Projeto Volta Grande, da mineradora canadense Belo Sun, e que o
licenciamento deixe a esfera estadual e passe ao Ibama.
O protesto ocorre após decisão liminar do Tribunal
Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que restabeleceu
a licença do projeto. A licença foi concedida em 2017 pela Secretaria de Meio
Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas).
O Ministério Público Federal (MPF) recorreu e pediu
asuspensão da medida, alegando que a empresa não cumpriu condicionantes
judiciais, como a realização do Estudo do Componente Indígena e da Consulta
Prévia, Livre e Informada às comunidades afetadas, prevista na Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho.
Riscos
socioambientais
A Volta Grande do Xingu é considerada território
tradicional de povos indígenas como Juruna, Xipaia, Curuaia, Arara da Volta
Grande e Xikrin, além de comunidades ribeirinhas e famílias camponesas da
região.
Relatório do Ministério dos Povos Indígenas aponta
que o projeto prevê duas cavas a céu aberto, pilhas de estéril, reservatórios e
uma barragem de rejeitos com capacidade de mais de 35 milhões de metros
cúbicos, estruturas previstas para áreas próximas ao rio Xingu.
Para as comunidades locais, a possível instalação da
mina pode agravar impactos já causados pela Usina Hidrelétrica de Belo
Monte, que alterou o fluxo natural do rio na região.
Segundo lideranças indígenas, a combinação entre a
redução da vazão do Xingu e a mineração em grande escala pode afetar ainda mais
a pesca, a segurança alimentar e os modos de vida das populações que vivem na
Volta Grande.
Estudos também apontam risco de contaminação do rio
por substâncias como cianeto, arsênio e chumbo, além da possibilidade de novos
processos de desmatamento e pressão sobre os territórios tradicionais.
O que diz a Belo Sun
Em nota, a Belo Sun Mineração afirmou que respeita o
direito de manifestação dos indígenas e que o diálogo deve ocorrer pelas vias
institucionais. A empresa disse que a Licença de Instalação do Projeto Volta
Grande está vigente após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região
(TRF1), que restabeleceu a autorização.
A mineradora também declarou que realizou a Consulta
Prévia, Livre e Informada às comunidades indígenas conforme a Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e afirmou que o projeto ainda
está em fase de instalação. Segundo a empresa, as atividades seguirão as
condicionantes do licenciamento ambiental enão há previsão de captação de água
do rio Xingu.
A Belo Sun também afirmou que a Justiça já analisou
a competência do licenciamento ambiental e manteve o processo sob
responsabilidade do governo do Pará.
Com informações do G1
e portal debate