(Ministra e presidente do Incra destacam ações e reafirmam compromisso com famílias assentadas e acampadas, visando ampliar acesso à terra e apoio.)
(Fotos: Evangelista Rocha e Kauã Fhillipe)
Fernanda Machiavelli, ministra do Desenvolvimento
Agrário e Agricultura Familiar e César Aldrighi, presidente do Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), participam nesta sexta-feira
(17) do ato em memória dos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás. Durante
a mobilização, que acontece na Curva do S, os representantes do governo federal
destacaram ações voltadas à reforma agrária e reafirmaram o compromisso com
famílias assentadas e acampadas na região.
O evento reúne trabalhadores rurais, movimentos
sociais e autoridades e integra a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária
Popular. A programação inclui celebrações religiosas, manifestações culturais e
discussões políticas sobre a questão agrária no país.
Para o CORREIO, a ministra afirma que a presença do
governo no ato simboliza a solidariedade às vítimas do massacre e reforça o
compromisso de manter e ampliar políticas públicas voltadas à reforma agrária,
tanto para famílias já assentadas quanto para aquelas que ainda aguardam acesso
à terra para produção de alimentos.
Fernanda também desta programas voltados ao
fortalecimento da agricultura familiar na região: “Nós temos o crédito
instalação, com desconto para quem paga em dia, o Pronaf para assentados com
juros de 0,5% ao ano, além de ações de restauração florestal, assistência
técnica e programas de compras públicas, como o de aquisição de alimentos e o
de alimentação escolar”.
Segundo ela, há ainda iniciativas específicas
voltadas às mulheres do campo, como a implantação de quintais produtivos que
incentivam a produção de alimentos, a criação de animais e o fortalecimento da
renda e da autonomia nas comunidades rurais.
Ao comentar o marco dos 30 anos do massacre, a
ministra ressaltou o significado histórico da mobilização.
“Esses
30 anos marcam uma história de muita luta e também de conquistas. Os que
marcharam aqui deixaram um legado e cabe a nós seguir essa caminhada para que
todas as famílias que ainda estão acampadas tenham acesso à terra”, afirma.
Na ocasião, Fernanda também mencionou a demanda
ainda existente no estado e destacou que há cerca de 40 mil famílias acampadas
no Pará, além de reconhecer avanços recentes, como a criação de 14
assentamentos em Marabá, e reafirmar o compromisso de ampliar o acesso à terra.
Por sua vez, o presidente do Incra, César Aldrighi,
explica que a atuação do órgão se divide entre o acesso à terra e o
desenvolvimento dos assentamentos. Para ele o Incra tem dois grandes eixos de
trabalho. Um é promover o acesso à terra e o outro é garantir o desenvolvimento
dos assentamentos para que as famílias permaneçam produzindo.
“Já
criamos 14 assentamentos em Marabá, com mais de 70 mil hectares destinados e
mais de 3 mil famílias atendidas”, diz César.
Para o CORREIO, ele destaca a importância de
políticas públicas para garantir a permanência das famílias no campo: “É
preciso assegurar crédito, assistência e condições de produção para que essas
famílias possam se desenvolver e acessar, posteriormente, o crédito bancário”.
Ele também destacou a presença histórica do Incra
na região após o massacre, ao afirmar que a criação da superintendência de
Marabá, a partir de 1996, ampliou a atuação do órgão e passou a priorizar a
criação e o desenvolvimento dos assentamentos.
(César Aldrighi (de branco): “É preciso assegurar crédito, assistência e condições de produção para essas famílias”)
O ato na Curva do S ocorre no Dia Internacional da
Luta Camponesa e reúne cerca de 3 mil participantes, que caminharam ao longo da
semana até o local. Para os organizadores, além da memória das vítimas, a
mobilização também busca pressionar por avanços na reforma agrária e ampliar
políticas públicas voltadas à população do campo.
Com informações de Kauã Fhillipe e Luciana Araújo do
Correio de Carajás
