Estiagem no Rio Javaés reduz oferta de peixes e ameaça sustento
de comunidades tradicionais em Formoso do Araguaia. Brigadistas alertam para os
efeitos da crise climática.
(Foto: Reprodução/Arquivo pessoal de Eduardo Hararuwe)
Imagens
aéreas gravadas na Ilha do Bananal mostram a dimensão da estiagem que atinge o
Rio Javaés, localizado no sudoeste do Tocantins. As imagens revelam bancos de
areia em trechos onde antes havia um grande volume de água. Os registros foram
feitos nas proximidades de Formoso do Araguaia, perto da aldeia
indígena Txuiri.
Os
registros foram feitos pelo servidor do Centro Nacional de Prevenção e Combate
aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Eduardo Hararuwe, morador da comunidade
indígena local. Em uma das gravações, Eduardo caminha de uma margem à outra do
rio em trechos onde, segundo ele, a profundidade normalmente seria suficiente
para cobrir completamente um adulto. Agora, nesses pontos, a água chega apenas
à altura da canela.
Nesta semana, o governo do Tocantins publicou um
decreto reconhecendo os impactos sociais e econômicos decorrentes da
estiagem prolongada no estado. O texto prevê medidas de assistência humanitária
(leia abaixo).
Segundo
Eduardo Hararuwe, a situação observada no Rio Javaés é resultado da combinação
de fatores climáticos globais e pressões locais sobre o bioma Cerrado. Entre os
fatores apontados por ele estão a redução dos índices pluviométricos, o
desmatamento, a destruição de matas ciliares e de Áreas de Preservação
Permanente (APPs), o assoreamento provocado por queimadas recorrentes e a
captação irregular de água para projetos de irrigação e lavouras.
Moradores
da região relatam apreensão com a velocidade e a intensidade da redução do
nível das águas. Segundo Cleber Javaé, supervisor estadual de brigadas do
Prevfogo, a diminuição dos recursos hídricos afeta diretamente a rotina e a
segurança alimentar das populações tradicionais que vivem ao longo do rio.
"A situação gera impactos negativos direto nos hábitos das
comunidades locais, como a redução drástica de peixes, que são a base da
alimentação das comunidades Javaé. Estamos sofrendo na prática os efeitos das
mudanças climáticas, por isso é urgente a conscientização sobre o uso
responsável dos recursos naturais", alertou o agente.
Situação de emergência no estado
O
governo do Tocantins publicou um decreto reconhecendo os impactos sociais e
econômicos decorrentes da estiagem prolongada. O texto prevê medidas de
assistência humanitária, apoio econômico aos produtores rurais, ações de saúde
pública e monitoramento ambiental.
As informações foram publicadas no Diário Oficial do
Estado em 20 de outubro de 2026. O decreto considera os registros do
Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que
apontam seca em aproximadamente 95% do território tocantinense em agosto de
2026. No mesmo período, a área afetada pela seca moderada aumentou de 33,57%
para 57,44%, em comparação com julho. (Veja a nota do Governo do Tocantins mais
abaixo).
Diante
do desabastecimento, a Prefeitura de Paraíso do Tocantins, na região central do
estado, decretou situação de emergência devido à seca extrema no Rio do Coco e
ao esgotamento do reservatório da Barragem do Coco. A situação levou à
implantação de rodízio no fornecimento de água, prejudicou o comércio e
provocou a suspensão ou redução das aulas em sete escolas do município.
Publicado
no Diário Oficial do Município, o decreto cita um relatório da Defesa Civil
Municipal que informa que o reservatório opera em volume morto.
Íntegra
da nota do governo do Tocantins
O
Governo do Estado informa que a medida se deve em razão da estiagem prolongada,
situação comprovada pelos dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de
Águas e Saneamento Básico, que apontaram seca em aproximadamente 95% do
território tocantinense em agosto de 2026.
O
decreto atribui ao Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins, por meio do Comando
de Ações de Defesa Civil, a coordenação das ações estaduais de resposta,
incluindo apoio aos municípios atingidos, assistência humanitária e
abastecimento emergencial de água, em articulação com outros órgãos
competentes.
Vale
destacar que as chuvas registradas até o momento não representam,
necessariamente, a recuperação dos níveis e das vazões dos rios e mananciais do
estado. Logo, não significa uma recuperação imediata da disponibilidade
hídrica.
Por fim,
destaca-se que o Estado segue com o monitoramento do cenário e mantém o apoio
aos municípios, em articulação com os órgãos competentes.
Com
informações de Igor Carneiro, g1 Tocantins
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