(Acervo Bem Brasileiro inclui vídeos, documentos e fotos e apresenta informações sobre o registro e a preservação da manifestação cultural.)
(Foto: José Cruz/Agência Brasil)
A rima e o improviso são as marcas do Repente, manifestação
popular que faz parte da identidade da região Nordeste. No diálogo poético,
dois artistas se revezam cantando estrofes improvisadas sobre situações do dia
a dia.
Devido a sua importância cultural e social, o bem imaterial foi
registrado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em novembro de 2021.
O reconhecimento valoriza o trabalho de cantadores, produtores e
apreciadores dessa tradição, presente atualmente em diferentes regiões do país.
Com a conquista, o Repente passou a figurar no Livro de Registro
das Formas de Expressão, no qual também estão a Roda de Capoeira e Choro.
O título possibilita a adoção de ações e políticas públicas voltadas à
salvaguarda da expressão cultural.
O pedido de registro foi apresentado ao Iphan em 2013 pela
Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito
Federal (Acrespo). A partir daí, o Instituto iniciou o processo de pesquisa e
documentação da manifestação.
O trabalho resultou em um dossiê técnico elaborado em parceria
com a Universidade de Brasília (UnB). O estudo reuniu informações sobre a
história, as características e a importância cultural do Repente.
Cantorias
As apresentações de repentistas costumam ser feitas em espaços
como casas, feiras, praças públicas e grandes festivais. Nelas, dois poetas,
acompanhados de violas, improvisam estrofes alternadas, a partir de temas
sugeridos pelo público ou instigados por eles próprios. Cada cantador é
desafiado a criar versos inéditos, que encantam pela rapidez do raciocínio e
pela riqueza de conteúdo.
O Repente é composto por três elementos fundamentais: a métrica
precisa dos versos, a qualidade das rimas e o sentido das mensagens
transmitidas pelos poetas. A habilidade para o improviso, que surpreende os
ouvintes pela espontaneidade, é considerada como um dom.
A expressão cultural mantém vínculos históricos com as
narrativas orais e encontra-se em estreita relação com outras poéticas vocais,
como a literatura de cordel.
História
Há registros da prática do Repente desde meados do século 19 em
Pernambuco e na Paraíba. As mais antigas têm origem na Serra do Teixeira (PB).
No início do século 20, a manifestação cultural contribuiu para a difusão do
rádio na região. Na época, a maior parte dos repentistas tinha origem rural,
vivendo no interior e cantando para plateias camponesas.
A partir da década de 1950, os cantadores passaram a residir nas
cidades em busca de meios de divulgação de seu trabalho, entre eles o rádio e o
correio.
Nos anos 1980 e 1990 vieram as gravações de discos e a
realização de festivais. Com a evolução tecnológica, a internet se tornou mais
uma ferramenta para divulgação de cantorias e eventos voltados ao Repente.
Plataforma
Com um acervo de mais de 2 mil itens, entre vídeos, documentos e
fotos, a plataforma digital Bem Brasileiro,
do Iphan, reúne os bens registrados como Patrimônio Cultural do Brasil ao longo
dos últimos 25 anos.
O site reúne desde pedidos de registro e pareceres técnicos até
ações de monitoramento e salvaguarda realizadas pelo Instituto. Também
disponibiliza parte do acervo separando materiais por cada estado da federação.
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