Equipamentos serão distribuídos gradualmente a partir de Ananindeua, passarão por novos testes e começarão a ser preparados para a votação na segunda quinzena de setembro
O Tribunal Regional Eleitoral do Pará
(TRE-PA) começou a distribuir as urnas eletrônicas que serão utilizadas nas
Eleições Gerais de 2026. Ao todo, 23.259 equipamentos deverão atender às zonas
eleitorais do estado. A operação teve início em 3 de agosto, no Núcleo Gestor
de Urnas, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, e ocorre de maneira
escalonada para garantir que os equipamentos cheguem aos municípios dentro do
prazo previsto.
A quantidade prevista para o Pará é cerca de
350 urnas superior à utilizada nas eleições municipais de 2024. Na comparação
com o pleito presidencial de 2022, quando foram usados 22.025 equipamentos no
estado, o aumento passa de mil unidades. O crescimento está relacionado à
organização da estrutura de votação e à necessidade de acompanhar as alterações
no eleitorado e no número de seções eleitorais.
Segundo o TRE-PA, a remessa tem média de
1.500 urnas por dia, embora o volume possa variar conforme as condições de cada
jornada. Como o parque estadual precisa ser enviado para diferentes regiões, a
distribuição não é concluída em uma única etapa. Os equipamentos deverão chegar
às zonas eleitorais até o início de setembro. Depois disso, passarão por novos
testes antes de receberem a preparação definitiva para o pleito.
A previsão é que a preparação das urnas
ocorra a partir da segunda quinzena de setembro. Nessa fase, os equipamentos
serão carregados com os dados da eleição, passarão por procedimentos
específicos de conferência e receberão os lacres de segurança. Depois de
prontos, serão levados aos locais de votação de acordo com o planejamento de
cada zona eleitoral.
Manutenção começa antes do transporte
A distribuição iniciada em Ananindeua é
apenas uma das etapas de um processo que começa meses antes da eleição. De
acordo com Tiago Neves, chefe da Seção de Urnas Eletrônicas do TRE-PA, os
equipamentos passam por ciclos anuais de manutenção antes de serem encaminhados
para o interior e para as demais zonas eleitorais.
Cada urna é levada a uma bancada e submetida
a uma sequência de verificações. Os testes avaliam as condições de
funcionamento do equipamento e procuram identificar qualquer problema que possa
comprometer o uso no dia da votação. Neves explica que a manutenção tem o
objetivo de assegurar que todas as unidades estejam aptas a operar quando forem
instaladas nos locais de votação.
“As urnas eletrônicas passam por diversos
ciclos anuais de manutenção, ou seja, cada urna vai para a bancada e passa por
testes exaustivos para garantir que esteja totalmente funcional no dia do
pleito”, afirmou o chefe da seção.
O trabalho não termina com a saída do
depósito centralizado. Depois de chegarem às zonas eleitorais, as urnas serão
novamente conferidas. A realização de testes nos destinos permite verificar se
os equipamentos chegaram em condições adequadas após o transporte e se
continuam funcionando de acordo com os padrões exigidos pela Justiça Eleitoral.
“Elas têm que chegar até o início de setembro
nas zonas eleitorais, para que lá ainda passem por mais testes, garantindo sua
funcionalidade plena”, informou Neves. Segundo ele, a preparação específica
para a eleição ocorrerá somente depois dessa nova rodada de verificações. “A
partir da segunda quinzena de setembro, elas vão ser preparadas já para a
eleição”, detalhou.
Quatro modelos
O conjunto de urnas disponível no Pará é
formado por quatro modelos: UE2013, UE2015, UE2020 e UE2022. A maior parte do
parque estadual já foi renovada e está concentrada nas versões mais recentes.
Os modelos de 2020 e 2022 são considerados novos dentro da estrutura de
equipamentos mantida pelo TRE-PA.
Na apuração local, Tiago Neves afirmou que
precisaria consultar a documentação da licitação para confirmar o ano exato de
fabricação de cada modelo, mas indicou que parte dos equipamentos mais recentes
teria sido produzida em 2019 e 2021. A denominação dos modelos, contudo, não
corresponde necessariamente ao ano de fabricação. Em um panorama nacional
divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a UE2020 aparece como
fabricada em 2021, enquanto a UE2022 foi produzida em 2023.
As versões fazem parte de um processo de
atualização tecnológica que ocorreu ao longo dos últimos anos. Segundo o TSE, a
UE2020 tem capacidade de processamento 18 vezes maior que a UE2015. Já a UE2022
é tecnicamente semelhante à UE2020, com mudanças no desenho do gabinete e
ajustes na construção do equipamento. A geração mais recente também incorporou
melhorias no processamento, no terminal utilizado pelo mesário e em mecanismos
de segurança.
A UE2015 trouxe mudanças como a inclusão de
códigos QR nos Boletins de Urna e o lançamento do aplicativo Boletim na Mão. A
UE2013, lançada em 2014, veio acompanhada de aprimoramentos no sistema
operacional Uenux, principalmente na área de criptografia. Essas melhorias
foram mantidas nos modelos produzidos posteriormente.
A eleição está marcada para 4 de outubro,
quando ocorrerá o primeiro turno. Um eventual segundo turno para as disputas de
presidente e governadores será realizado em 25 de outubro. Em ambos os casos, a
votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Na urna, o eleitor fará seis escolhas. A
ordem definida pelo TSE começa com deputado federal, seguido de deputado
estadual ou distrital, no caso do Distrito Federal. Depois, serão escolhidos os
dois senadores, um de cada vez, governador e vice-governador e, por fim,
presidente e vice-presidente da República. Na tela, aparecerão o número, o
nome, a fotografia, o cargo em disputa e a sigla do partido ou da federação
correspondente.
Depósito central tem controle de segurança e
umidade
Até o momento da transferência, as urnas
permanecem reunidas no depósito centralizado do TRE-PA, em Ananindeua. A
estrutura concentra os equipamentos que serão utilizados nas eleições em todo o
estado. A transferência para as zonas eleitorais ocorre normalmente no período
eleitoral, em geral a partir de agosto do ano do pleito.
“O Tribunal Regional Eleitoral do Pará contém
um depósito de urnas centralizadas. Ou seja, todas as urnas usadas na eleição
ficam aqui, em Ananindeua, no depósito de urnas”, explicou Tiago Neves.
Preparação inclui testes, lacres e
fiscalização
Antes de serem liberadas para a votação, as
urnas recebem os dados da eleição e passam por testes de funcionamento. Também
são aplicados lacres de segurança. Os procedimentos podem ser acompanhados por
representantes do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil, dos
partidos políticos, das federações, das coligações e das demais entidades
fiscalizadoras previstas pela Justiça Eleitoral.
A preparação inclui verificações de
integridade e autenticidade dos sistemas instalados nos equipamentos. O TSE
informa que os programas utilizados nas urnas são desenvolvidos pelo próprio
tribunal. Depois de passarem pelo Teste Público de Segurança, os softwares são
assinados digitalmente e lacrados em uma cerimônia pública realizada na sede do
órgão, em Brasília.
Os códigos-fonte dos sistemas eleitorais
estão disponíveis para inspeção desde 2 de outubro de 2025 e permanecerão
acessíveis até 4 de setembro de 2026, quando está previsto o encerramento da
Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais das Eleições
Gerais de 2026. O tribunal afirma que o processo eletrônico conta com mais de
40 oportunidades de auditoria ao longo de cada biênio eleitoral.
A urna eletrônica completa 30 anos de
utilização no Brasil em 2026. Desde a primeira adoção, em 1996, o sistema
passou por mudanças de processamento, criptografia, acessibilidade, auditoria e
transparência. Entre as atualizações recentes estão o intérprete de Libras na
tela, a voz sintetizada para pessoas com deficiência visual e a publicação de
arquivos como Boletins de Urna, registros digitais do voto e logs.
Transporte até os locais de votação
Depois que chegarem às zonas eleitorais,
forem testadas e preparadas, as urnas serão transportadas aos locais de
votação. O cronograma não é igual em todo o Pará. Ele depende da distância, das
condições de acesso e da complexidade logística de cada região.
Há zonas eleitorais em que os equipamentos
são enviados dois dias antes da votação. Em outras situações, podem sair na
sexta-feira para chegar no sábado e permanecerem instalados e prontos no
domingo. A estratégia permite ajustar o transporte às características de cada
município e reduzir o intervalo entre a chegada da urna e o início do pleito.
“Tem zonas eleitorais, dependendo da sua
complexidade logística, que são mandadas dois dias antes. Às vezes, na
sexta-feira elas saem para chegar no sábado ao local de votação e estarem
prontas ali no domingo”, explicou Tiago Neves.
Com informações do Correio de Carajás
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