Programa do IEL conecta acadêmicos a projetos de inovação em empresas e indústrias nacionais e multinacionais
(Foto: Iano Andrade/CNI)
O
programa Inova Talentos, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL),
está com 312 bolsas de até R$ 12 mil para pesquisadores interessados em
desenvolver projetos estratégicos de pesquisa, desenvolvimento e inovação
(PD&I) em empresas e indústrias nacionais e multinacionais.
As
oportunidades são destinadas a profissionais com diferentes níveis de formação,
de graduandos a doutores, e abrangem diversas áreas do conhecimento. As bolsas
têm duração de até 12 meses, com possibilidade de prorrogação por igual
período, e contemplam vagas nos formatos presencial, híbrido e remoto, em diferentes
estados do país.
Entre
as áreas com oportunidades estão engenharias, desenvolvimento de inteligência
artificial (IA), farmácia, química, tecnologia da informação, ciência da
computação, análise de sistemas, administração, cosmetologia, agronomia e
estatística, entre outras.
Os
interessados devem entrar em contato com o IEL do próprio estado para verificar
as etapas dos processos seletivos e as vagas disponíveis na região. Todas as
informações e outras oportunidades podem ser consultadas no site de vagas do
IEL – Inova Talentos.
Confira
algumas oportunidades
·
Instituto Itaú de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT
Itaú)
O
instituto oferece mais de 50 oportunidades para pesquisadores com graduação,
mestrado ou doutorado, em andamento ou concluídos. As vagas são remotas e
oferecem bolsas entre R$ 7 mil e R$ 12 mil.
As
oportunidades abrangem áreas como ciências exatas, engenharias, ciência da
computação, sistemas de informação, ciência de dados, estatística, matemática
aplicada, tecnologia da informação e inteligência artificial.
·
Vale
A
empresa busca pesquisadores das áreas de engenharia de minas, de materiais,
metalúrgica, química, e áreas correlatas para atuação híbrida no Rio de Janeiro.
Há oportunidades para especialista 2, com bolsa de R$ 10 mil; especialista 3,
de R$ 12 mil; e mestre, de R$ 5,6 mil. Todas têm carga horária de 40 horas
semanais e duração de 12 meses.
Também
estão disponíveis seis vagas para automação de testes de controles SOX — quatro
destinadas a mestres, com bolsas de R$ 9 mil, e duas para doutores, com bolsas
de R$ 11 mil.
Outra
oportunidade é o Projeto Cora, voltado ao desenvolvimento de um agente de IA
generativa, com uma vaga para graduado, com bolsa de R$ 7 mil, e outra para
mestre, com bolsa de R$ 9 mil. As vagas têm carga horária de 40 horas semanais e
duração de 12 meses.
·
Siemens Energy
A
empresa procura pesquisadores graduados em ciência da computação, engenharia da
computação, sistemas de informação, engenharia de software, engenharia elétrica
e áreas correlatas para atuar em um projeto de inteligência artificial aplicada
a transformadores.
A
vaga é híbrida, em Jundiaí (SP), e oferece bolsa de R$ 7 mil, com carga horária
de 40 horas semanais e duração de 12 meses.
·
MAHLE Metal Leve
A
empresa busca pesquisadores graduados em administração, logística, engenharia e
áreas correlatas para atuação presencial ou híbrida. São duas oportunidades:
uma voltada ao uso de machine learning para a predição de emissões gasosas e
particuladas, com bolsa de R$ 4 mil, e outra para o desenvolvimento de uma
control tower logística, com bolsa de R$ 3,5 mil.
Ambas
têm carga horária de 40 horas semanais e duração de 12 meses.
Inova
Talentos
O
Inova Talentos é uma iniciativa do IEL em parceria com o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o
Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que auxiliam na seleção e capacitação dos
profissionais.
A
superintendente do IEL, Sarah Saldanha, explica que o objetivo do Inova
Talentos é fazer a ponte entre a academia e o setor produtivo.
“Se
há um desafio de inovação de um lado, e de outro, um profissional
capacitado, nós do IEL somos a ponte que conecta a indústria a esses talentos.
Sua empresa recebe talentos preparados com formação adequada para desenvolver
projetos de inovação dentro da sua empresa. É o IEL trabalhando na aproximação
do conhecimento que está na academia, nas universidades, nos centros de
conhecimento da própria indústria brasileira”, afirma.
Segundo
o gerente de Inovação do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi), Enzo
Scivittaro, o programa aproxima os bolsistas aos desafios reais das empresas.
“Iniciativas
como o Inova Talentos contribuem para fortalecer a capacidade de inovação
nacional ao criar oportunidades para pesquisadores atuarem em projetos de alto
impacto no setor produtivo. E é uma forma de transformar conhecimento
científico em resultados concretos para a sociedade e para a competitividade
nas empresas brasileiras”, destaca.
Scivittaro
ressalta que, embora a bolsa não tenha vínculo empregatício, o programa permite
que os participantes demonstrem suas competências e construam relações
profissionais com equipes altamente especializadas. “Na prática, muitos
bolsistas passam a ser reconhecidos pelo valor que geram ao longo do programa e
podem, posteriormente, ser considerados para futuras oportunidades
profissionais”, pontua.
O
diretor de Operações do Ceará Tech Park SENAI/CE e bolsista expert do IEL, Rodrigo
Pastl Pontes, destaca que a atuação dos pesquisadores também envolve
conectar diferentes atores do ecossistema de inovação — como empresas,
universidades, institutos de pesquisa, governo e ambientes de inovação — e
transformar essas conexões em projetos, parcerias e oportunidades concretas.
“Muitas
vezes, inovar não significa apenas desenvolver uma nova tecnologia, mas saber
onde está o conhecimento, quem possui determinada competência e como transformar
essas capacidades em soluções para o mercado”, enfatiza.
Conexão
com as tendências globais de inovação
Para
Rodrigo Pastl Pontes, o Inova Talentos está alinhado às tendências globais da
inovação industrial ao promover uma conexão direta entre conhecimento
científico, desenvolvimento tecnológico e demandas do mercado.
“Na
minha atuação, vejo justamente o papel de ajudar a construir essas conexões. Em
um ecossistema de alta tecnologia, não basta ter boas universidades, bons
institutos de pesquisa ou boas empresas de forma isolada. É preciso criar os
mecanismos para que esses atores trabalhem juntos e consigam transformar
ciência e tecnologia em novos produtos, empresas e oportunidades para o Brasil”,
afirma.
Enzo
Scivittaro afirma que, no ICTi, os bolsistas atuam em frentes relacionadas à inteligência
artificial, à computação quântica, à experiência do usuário, à prevenção a
fraudes e a outras tecnologias emergentes — áreas que ocupam posição
central nas agendas globais de inovação e competitividade.
Segundo
ele, além de acelerar o desenvolvimento de projetos estratégicos, o Inova
Talentos também contribui para o fortalecimento da soberania tecnológica
brasileira ao formar profissionais qualificados, estimular a retenção de
conhecimento no país e ampliar a capacidade nacional de desenvolver soluções
próprias para desafios complexos.
“Quanto
mais fortalecemos esse elo entre ciência e mercado, maior a capacidade do
Brasil de gerar inovação, propriedade intelectual e vantagens competitivas
sustentáveis”, conclui.
Com
informações de Paloma Custódio/Ag. do Radio
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