A iniciativa, com base na Lei Lucas, assegura capacitação teórica e prática aos profissionais da rede pública estadual em situações de emergência no âmbito educacional
(Fotos: Reprodução)
Em conformidade com a legislação federal e o
compromisso com o bem-estar da comunidade escolar, a Secretaria de Estado de
Educação do Pará (Seduc), por meio do Núcleo de Segurança Pública e Proteção
Escolar (NUSPE), da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Marabá, iniciou uma
importante rodada de capacitação em primeiros socorros para servidores da rede
pública estadual na Região de Integração Carajás. A formação ocorreu na Escola
Estadual Gabriel Sales Pimenta, em Marabá, sudeste paraense.
A iniciativa compõe a Lei Lucas (Lei Federal
nº 13.722/2018), norma sancionada após a trágica morte do estudante Lucas
Begalli, de 10 anos, por engasgo durante um passeio escolar no ano de 2017. Na
época, não havia na equipe profissional capacitada para realizar os
procedimentos adequados. A partir desse marco legal, estabeleceu-se a
obrigatoriedade de treinamento anual para profissionais da Educação Básica
(desde a educação infantil ao ensino médio).
Preparo – O
treinamento conduzido pela equipe da Central de Regulação de Urgência (CRU)
Samu Carajás reuniu abordagens teóricas e simulações práticas, composta por uma
comitiva de seis profissionais entre enfermeiros intervencionistas, técnicos de
enfermagem e condutores socorristas. Foi abordado, também, sobre equipamentos
do cotidiano do Samu, manequins para manobras de ressuscitação
cardiorrespiratória (RCP) e simuladores de engasgo em bebês e adultos.
A coordenadora da CRU e enfermeira
intervencionista, Walternice Vieira, enfatizou que “a capacitação é primordial
para quem convive diariamente com o ambiente escolar, um espaço dinâmico
propício a intercorrências de saúde”, pontuou Walternice.
Ainda segundo a especialista, entre as
ocorrências mais frequentes registradas pelo Samu em escolas estão as crises
convulsivas, crises de ansiedade, quadros de hipertermia (febre acima de 40
°C) e desmaios, seguidos de traumas causados por práticas esportivas. O
conteúdo instrucional abordou ainda condutas seguras em queimaduras, fraturas,
ferimentos cortantes, hemorragias internas e externas, insolação e o
acionamento correto do serviço de emergência.
Walternice reforça que “a principal
orientação ao presenciar um incidente é manter a calma e ligar para o Samu 192
ao lado da vítima, garantindo que o médico regulador possa avaliar o quadro e
orientar os primeiros procedimentos de forma remota até a chegada da
ambulância”, explicou.
Walternice Vieira enfatizou que a capacitação
é primordial para quem convive diariamente com o ambiente escolar
Para o assessor do NUSPE, coronel Benedito
Sabbá, a trajetória de implementação e o fortalecimento dessa rede de cuidados
nas escolas paraenses é fundamental
“Com base na Lei Lucas, que determina que
todos os funcionários, professores, diretores, serventes, agentes de portaria
da Educação Básica, tenham treinamento em primeiros socorros, iniciamos esse
trabalho no ano passado em parceria com o Corpo de Bombeiros, incluindo noções
de prevenção de incêndio. Neste ano, incorporamos o Samu à programação
para aprofundar os procedimentos essenciais previstos pela legislação”,
explicou o coronel.
Sabbá ressaltou que a formação prática em
Marabá abrangeu dezenas de servidores no seu primeiro dia de atividades,
integrando unidades urbanas e rurais:
“Hoje, sexta-feira (14), iniciamos na Escola
Gabriel Sales Pimenta o treinamento de cinco horas com a equipe do Samu,
reunindo cerca de 70 servidores entre professores, serventes, agentes de
portaria e gestores. Além da Gabriel Sales Pimenta, participaram servidores da
Escola Walquise Vianna, da Escola Maria Irani (de Nova Ipixuna) e professores
de escola indígena Kwykepreqre Kuwekatiti, do município de Bom Jesus do
Tocantins. A programação se estenderá a 26 escolas da DRE/Marabá”, detalhou o
coronel.
Mitose – conhecimentos transformadores na rotina escolar
Para os educadores e funcionários, o
aprendizado representa mais tranquilidade e segurança no ambiente de ensino.
Professor de Matemática na Escola Gabriel Sales Pimenta, em Morada Nova, Milton
Ataíde participou do treinamento pela segunda vez e ressaltou que, por lidar
constantemente com o público, saber como agir em situações imprevistas é
indispensável. De acordo com o docente, os conhecimentos adquiridos trouxeram
segurança quanto às manobras de emergência, especialmente os procedimentos para
desobstrução de vias aéreas em casos de engasgo.
Já a professora de Sociologia Tayana Cortez,
da Escola Walquise Vianna (bairro São Félix), pontuou a importância de pequenos
gestos que evitam o agravamento de quadros de saúde e resgatam vidas em
instantes decisivos. Ela destacou a desmistificação de crenças populares
prejudiciais, como a aplicação de pó de café ou creme dental sobre queimaduras
e feridas, ou a tentativa incorreta de puxar a língua de uma pessoa durante uma
crise convulsiva, práticas que o treinamento ensinou a abolir completamente.
A professora Tayana Cortez de Sociologia
disse que o treinamento quebrou vários mitos
Calendário contínuo
A programação segue até o dia 18 de setembro,
garantindo que todas as unidades escolares vinculadas à DRE de Marabá, recebam
o treinamento prático e teórico de primeiros socorros.
Com informações de Emilly Coelho/Correio de
Carajás
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