quarta-feira, 12 de agosto de 2026

77 MUNICÍPIOS DO PARÁ ADEREM A ACORDO PARA AMPLIAR NÚMERO DE PROFESSORES CONCURSADOS

TAG orienta prefeituras a cumprir percentual mínimo de 70% de docentes concursados; prazo para adequação vai até 2030


Ao todo, 107 municípios foram considerados aptos pelo TCMPA a participar do compromisso. Além das prefeituras, 55 câmaras municipais participaram da assinatura como intervenientes. Os municípios que ainda não aderiram podem procurar o conselheiro ou a conselheira responsável pelas contas da cidade para formalizar o compromisso.

A proposta tem como referência a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e busca reduzir a dependência de vínculos temporários na composição das equipes do magistério. Na prática, os municípios terão até 2030 para planejar e executar as medidas necessárias para alcançar o percentual previsto.

 Cada prefeitura recebeu um termo elaborado a partir dos dados do próprio município. Depois do atendimento no Tribunal, os representantes têm cinco dias para devolver o documento assinado digitalmente pelo sistema eletrônico do TCMPA.

Tribunal diz que medida é preventiva

Durante a apresentação do TAG, o presidente do TCMPA, conselheiro Lúcio Vale, afirmou que o objetivo do acordo é permitir que os municípios façam as adequações antes de possíveis sanções. Segundo ele, o Tribunal pretende acompanhar o processo de forma orientativa, sem deixar de exercer a função de fiscalização.

“O Tribunal de Contas tem uma missão que vai muito além de fiscalizar. Nosso papel também é orientar, prevenir problemas e, sobretudo, contribuir para que os municípios possam aprimorar a gestão pública e entregar melhores serviços à população”, afirmou.

Para o presidente, o percentual de 70% não deve ser tratado apenas como uma exigência numérica. A composição do quadro de professores, segundo ele, também tem relação com a continuidade das equipes e com as condições de funcionamento das escolas.

“Essa meta representa mais do que um percentual; está relacionada à valorização dos profissionais da educação, à estabilidade das equipes e à construção de uma educação pública com mais qualidade”, disse.

O acordo também leva em consideração as diferenças entre os municípios paraenses. As prefeituras possuem situações distintas em relação a orçamento, estrutura administrativa e composição dos quadros de servidores, fatores que serão considerados no planejamento de adequação.

TAG foi preparado ao longo de dois anos

De acordo com Lúcio Vale, a elaboração do TAG começou há mais de dois anos. Nesse período, o Tribunal realizou atividades de orientação e capacitação em diferentes regiões do Pará para apresentar aos gestores as mudanças e os critérios relacionados ao quadro de profissionais da educação.

Apesar disso, o presidente afirmou que parte dos gestores ainda demonstrava desconhecimento sobre o conteúdo do acordo próximo à data da assinatura.

“Nós estamos fazendo aqui um TAG que demorou mais de dois anos para ser entregue e a maioria dos prefeitos parece que não tinha tomado conhecimento disso. Nada do que está sendo feito é por impulso”, afirmou.

Segundo ele, as orientações ocorreram durante o ano passado e também no primeiro semestre deste ano.

A preocupação do Tribunal está relacionada à necessidade de os municípios se anteciparem às exigências. O acordo estabelece um prazo mais longo para a adequação justamente para que as prefeituras possam organizar concursos, planejamento de pessoal e demais medidas necessárias sem comprometer a administração.

“O que estamos fazendo aqui é auxiliando vocês antes de aplicar penalidades. Quero que saiam daqui com essa visão: o Tribunal está conversando, dialogando e ajudando, para que não venham as punições”, declarou Lúcio Vale.

Prefeito avalia acordo como planejamento

O prefeito de Castanhal, Hélio Leite, avaliou que o TAG pode ajudar os municípios a entenderem quais medidas precisam ser adotadas para atender às exigências.

“O TCMPA tem auxiliado os prefeitos mostrando o que podemos fazer, como podemos fazer e como temos a obrigação de fazer. Não é um documento punitivo, mas um planejamento estratégico para que o município adequar seus dados e números”, afirmou.

A partir da assinatura, cada município deverá seguir o planejamento definido no documento individualizado. O prazo final para execução das medidas é 2030.

Para Lúcio Vale, a discussão sobre a composição das equipes do magistério também envolve o funcionamento da educação pública. “Investir na regularização e na valorização dos profissionais do magistério é investir diretamente na educação das nossas crianças e jovens”, afirmou.

A cerimônia contou com integrantes da direção do TCMPA, do Ministério Público de Contas dos Municípios do Pará (MPCM-PA), conselheiros e conselheiros substitutos. Entre os presentes estavam o vice-presidente do Tribunal, Daniel Lavareda; o corregedor, Cezar Colares; a ouvidora, Mara Lúcia Barbalho; o diretor-geral da Escola de Contas Públicas, Antonio José Guimarães; e representantes da Câmara Especial de Julgamento.

Com informações de Gabi Gutierrez/O liberal

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