Com 632 mortes, letalidade policial atingiu o maior patamar da série histórica no ano em que Belém sediou a COP 30. Maioria das vítimas é negra, jovem e com baixa escolaridade. Governo alega diminuição dos indicadores de criminalidade.
(Foto: Arte/G1)
O Pará registrou 632 mortes por
intervenção policial em 2025, 35 a mais do que no ano anterior, segundo o
estudo "Pele Alvo", produzido pela "Rede de
Observatórios da Segurança" e divulgado nesta quarta-feira (1º).
Segundo o estudo, no ano em que Belém sediou
a COP 30, a letalidade policial no estado atingiu o maior patamar da série
histórica, que começou em 2019. Na capital paraense, foram contabilizadas 99
mortes, o maior número absoluto entre os municípios do estado.
Por outro lado, o
Governo estadual alega que o Pará registra "redução contínua nos
principais indicadores de criminalidade, mantendo como prioridade o
enfrentamento à violência e a redução da letalidade policial".
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Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) do Pará
informou ao g1 que os policiais usam câmeras corporais, drones
táticos e pistolas não letais, "para maior segurança de todos" e são
continuamente capacitados com "qualificação técnica e psicológica para
eficácia das ações".
Entre os casos com informação de raça ou cor
informados no estudo, 516 vítimas eram pretas ou pardas, conforme critério
adotado pelo IBGE. O estado registrou ainda a segunda maior taxa de mortes
de pessoas negras (pretas ou pardas) entre os estados monitorados, com
oito mortes por 100 mil habitantes, atrás apenas da Bahia.
O levantamento do "Pele Alvo" reúne
dados das secretarias de segurança pública estaduais obtidos por meio da Lei de
Acesso à Informação (LAI) em nove estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão,
Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
As informações passam por validação, para
identificar eventuais inconsistências. Os pesquisadores adotam o critério do
IBGE para definir a população negra como o somatório de "pretos" e
"pardos".
Os dados também indicam um perfil
predominante das vítimas: 418 vítimas estavam na faixa de 12 a 29 anos e 244
pessoas não tinham o ensino fundamental completo.
A Polícia Militar foi responsável por 89,7%
das mortes registradas no estado. O estudo também aponta que houve 19
homicídios cometidos por agentes do Estado fora de situações de confronto.
Há ainda concentração geográfica dos casos.
Os municípios de Belém, Ananindeua e Marituba somam, juntos, 193 vítimas.
Segundo a publicação, o cenário evidencia o
caráter seletivo da violência policial e reforça desigualdades raciais. A
sétima edição do estudo mantém o objetivo de ampliar o debate sobre letalidade
policial e denunciar impactos desproporcionais sobre a população negra.
O estudo diz que apesar de investimentos em
políticas públicas, como as Usinas da Paz, permanece no Pará práticas de
policiamento militarizado e confrontos armados. "A Secretaria de Segurança
Pública do Pará (Segup) destaca, por outro lado, a redução nos Crimes Violentos
Letais Intencionais (CVLI) em áreas atendidas pelo programa Territórios pela
Paz", informou a publicação.
Com informações do G1/Pará
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