sábado, 4 de julho de 2026

COOPERATIVISMO IMPULSIONA REVOLUÇÃO SILENCIOSA DA RECICLAGEM EM MARABÁ

(De Marabá, a Cooperativa COREMA é um farol de inclusão, transformando o que muitos chamam de 'lixo' em oportunidades, dignidade e um futuro mais verde para dezenas de famílias paraenses.)


(Fotos: Evangelista Rocha)

Neste sábado (4), quando o mundo celebra o Dia Internacional do Cooperativismo, Marabá tem motivos de sobra para comemorar. O município abriga 89 cooperativas em atividade, segundo registros do setor, reunindo iniciativas que movimentam a economia, geram emprego e promovem inclusão social. Entre elas, a Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis (COREMA) se destaca por transformar aquilo que muitos chamam de lixo em renda, dignidade e sustentabilidade para dezenas de famílias.

O que para muitos é o fim da linha, para a COREMA é apenas o começo de uma cadeia viva de valor, energia e transformação social. Em uma entrevista ao CORREIO, o presidente da cooperativa, Wesley Faustino Martins Lopes, revelou os bastidores de um trabalho que vai muito além da coleta de materiais: trata-se de um esforço diário para profissionalizar o setor, resgatar trabalhadores da informalidade e colocar Marabá no mapa da sustentabilidade do Estado do Pará.

Com 21 pessoas atuando diretamente, a COREMA desdobra-se para cobrir os principais pontos de Marabá. “O trabalho se divide entre a coleta fixa no shopping, uma equipe de pessoas na coleta de rua e frentes de atuação que se estendem pela Velha Marabá, Nova Marabá e São Félix, e aqui no nosso ponto fixo no Bairro Coca Cola”, explica.

A cooperativa está localizada no Bairro Nossa Senhora Aparecida (popularmente conhecido como Coca-Cola) e redesenha o destino dos materiais descartados na cidade, garantindo a dignidade de dezenas de famílias.

À frente do projeto está Wesley Faustino, mineiro que reside na região há 15 anos e com experiência anterior na cadeia da reciclagem em seu estado natal. Para a reportagem ele conta que identificou no lixo de Marabá uma oportunidade de transformação quando participava do Projeto de Economia Solidária e Criativa Socio-comunitário.

“A Corema nasceu pela necessidade do gerenciamento de resíduos sólidos que eu via na rua. Eu via os catadores correndo atrás de sucata ferrosa com carrinho de mão, tudo de forma inadequada. Quando surgiu o curso para abrir um empreendimento, olhei para o resíduo”, relembra o presidente.

O início da cooperativa no final de 2019 coincidiu com a pandemia de Covid-19, no início de 2020, período em que muitas famílias locais perderam totalmente suas fontes de subsistência.

A estrutura atual é fruto de articulações e parcerias estratégicas. O maquinário inicial (uma prensa de 15 toneladas) foi doado por investidores canadenses via Fundação Vale, após a cooperativa passar por um processo de incubação. Hoje, esse equipamento opera diretamente no Partage Shopping Marabá, um dos grandes geradores parceiros, de onde os fardos de papelão já saem prontos para a sede.

Recentemente, o processo ganhou o reforço de uma prensa enviada pelo Governo do Estado e de novos equipamentos (como balança e paleteira) adquiridos por meio de um projeto junto ao Ministério Público Estadual, financiado por verbas de multas judiciais.

Atualmente, o material chega à cooperativa por três canais principais: os catadores de rua cooperados (muitos integrantes da própria diretoria), os médios e grandes geradores, e uma parceria recente com o SSAM (Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá).


A única exigência feita aos geradores é a separação básica entre o seco (reciclável) e o molhado (orgânico/rejeito). O presidente ressalta que a imposição de regras excessivamente rígidas poderia desencorajar a adesão em uma cidade onde a cultura da reciclagem ainda está engatinhando.

Wesley enfatiza que a mudança de mentalidade da população é o fator mais urgente para alavancar os índices de reciclagem em Marabá. “Se a pessoa separar ‘lixo’ de ‘resíduo’, vai nos ajudar muito. Lixo é o cultural, é aquilo que não tem valor agregado e cujo destino é o aterro. Resíduo tem valor e pode ser reutilizado. Quando a população entende isso, o material já chega pré-separado e o nosso trabalho melhora muito.”

Com informações do Correio de Carajás

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