Texto cria 114 cargos específicos voltados ao magistério indígena
(Foto: Lucas Santos/Semed)
Em sessão ordinária realizada na última
terça-feira (30), a Câmara Municipal de Parauapebas aprovou o Projeto de Lei nº
310/2026, de autoria do prefeito Aurélio Goiano (Avante), que promove uma ampla
reestruturação na Educação Escolar Indígena (EEI) da rede pública municipal,
além de criar e majorar cargos no âmbito da Secretaria Municipal de Educação
(Semed).
Diferente do modelo de ensino tradicional da
rede urbana, a Educação Escolar Indígena é uma modalidade garantida pela
Constituição Federal e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB). Ela consiste no direito a um ensino diferenciado, intercultural e
bilíngue (ou multilíngue).
Na prática, isso significa que as comunidades
indígenas têm o direito de utilizar suas línguas maternas e seus processos
próprios de aprendizagem. O objetivo central é proporcionar o acesso aos
conhecimentos científicos da sociedade nacional ao mesmo tempo em que se
preserva e valoriza a identidade étnica, as ciências próprias, as memórias
históricas e os saberes tradicionais de cada povo, evitando a aculturação e a
evasão escolar.
Estrutura,
novos cargos e impacto financeiro
O Projeto de Lei nº 310/2026 consolida e
organiza o Departamento de Educação Escolar Indígena (DEEIND), vinculado à
Semed. O setor contará com coordenações e áreas técnico-pedagógicas específicas
voltadas à formação continuada, produção de materiais didáticos próprios,
educação ambiental e preservação das línguas, como a Língua Xikrin.
Para dar sustentação à nova estrutura, a lei
cria 114 cargos efetivos específicos voltados ao magistério indígena, divididos
da seguinte forma:
66
cargos de Professor Escolar Indígena I (profissional pertencente a povo
indígena, com formação específica em magistério indígena ou licenciatura);
40
cargos de Professor Escolar Indígena II (profissional com licenciatura plena ou
bacharelado com complementação pedagógica e experiência comprovada na atuação
com povos indígenas);
8
cargos de Mestre com Notório Saber Indígena (membros reconhecidos por suas
comunidades como detentores de saberes tradicionais, permitindo que lecionem
mesmo sem escolaridade formal).
A matéria também cria cargos em comissão para
a coordenação pedagógica e majora a quantidade de cargos já existentes na rede
de ensino (como Diretores, Vice-Diretores, Coordenadores de Apoio Pedagógico e
Secretários de Escola) para suprir o crescimento da demanda e o déficit
funcional no município.
A adequação financeira da proposta foi
atestada por estudos da Secretaria Municipal de Fazenda (Sefaz), que preveem um
impacto orçamentário aproximado de R$ 20.758.879,97 para o exercício de 2026. O
valor representa cerca de 0,80% da Receita Corrente Líquida do município,
mantendo as despesas com pessoal do Executivo em 47,68%, patamar abaixo do
limite prudencial exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Análise
das comissões
O Projeto de Lei nº 310/2026 foi analisado
conjuntamente pelas comissões de Constituição, Justiça e Redação (CCJR); de
Finanças e Orçamento (CFO) e de Educação e Cultura (CEC).
Com informações de Nayara
Cristina/Ascom CMP) e Zé Dudu


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