(Avanço abre espaço para expansão bilionária das exportações do setor e reforça papel dos bioinsumos na produção sustentável do agronegócio)
(Foto: Divulgação)
O Vale do São Francisco registrou o primeiro
embarque de uvas frescas brasileiras para a União Europeia (UE) com tarifa
zerada. A possibilidade de exportação com desagravação tarifária total para
esses bens à UE, deve ampliar a competitividade da fruticultura nacional no
mercado europeu, principal destino das exportações da região.
O marco foi celebrado durante a iniciativa,
concebida pela ApexBrasil, Caravana Frutas – Do Vale para o Mundo, realizada em
Petrolina (PE), reunindo produtores, representantes do setor e autoridades
públicas.
Participaram da abertura o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; o
presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil),
Laudemir Muller; o presidente da Associação Brasileira dos Produtores
Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS), Waldir
Promicia; e a presidente da CropLife Brasil, Ana
Repezza.
Também estiveram presentes a prefeita de
Lagoa Grande (PE), Catharina Garziera; o secretário de Desenvolvimento Agrário,
Agricultura, Pecuária e Pesca de Pernambuco, Cícero Moraes; o deputado federal
Fernando Monteiro; o vice-prefeito de Petrolina, Ricardo Coelho; e o presidente
do Conselho de Administração da Embrapa (Consad), Guilherme Coelho.
Acesso ao mercado europeu
Durante o evento, o presidente da ApexBrasil,
Laudemir Muller, destacou o potencial econômico do mercado europeu e o
crescimento das exportações brasileiras de frutas nos últimos anos a partir da
parceria com a ABRAFRUTAS.
“O resultado está aqui. Estamos exportando
diretamente do Vale do São Francisco cada vez mais uva para a Europa. Esse
carregamento vai beneficiar toda a região. A Europa importa 7 trilhões de
dólares; só de fora do bloco são 3 trilhões de dólares. O Mercosul importa 342
bilhões. Então é nesse mercado que nós vamos entrar sem tarifa. Alguns mais
rápido, como a uva, que já é zero agora, e outros que lá para frente vão cair a
tarifa. A fruticultura vai ser uma das grandes beneficiadas”, afirmou.
“Quando começamos a parceria da ApexBrasil
com a Abrafrutas em 2014, o Brasil exportava 413 milhões de dólares de frutas.
Ano passado exportamos 1 bilhão e 450 milhões. Em 10 anos, nós trouxemos ao
Brasil 1 bilhão de dólares a mais dessa fruticultura”, complementou Muller.
O ministro André de Paula afirmou que a
retirada da tarifa pode aumentar a competitividade das exportações do Nordeste,
principalmente no Vale do São Francisco, onde a maior parte da produção
destinada ao exterior segue para a Europa.
“É a luta de muita gente que acreditou que
isso fosse possível. E esse acordo que vai beneficiar cerca de 5.000 itens, a
grande maioria desses produtos vem do Agro. É um exemplo muito claro, até
porque esse é um exemplo de algo que já acontece agora a partir do primeiro
momento, está aqui nas nossas uvas que antes eram taxadas com 12% e agora terão
uma taxação de zero”, disse.
“Isso faz diferença quando a gente sabe que
75% do que a gente exporta aqui vai para a Europa. A gente agora vai exportar
sem esse ônus, com melhores condições de competitividade e com maior retorno
para o produtor”, enfatizou o ministro.
Bioinsumos e exigências do mercado
internacional
Além da abertura comercial, a programação
abordou o uso de tecnologias e práticas sustentáveis para atender às exigências
sanitárias e ambientais do mercado europeu.
A presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza,
destacou o avanço dos bioinsumos no país e o crescimento do setor na
fruticultura.
“O Brasil é hoje o país que mais adota
bioinsumos em suas culturas, com crescimento de 21% na adoção em relação a
2024. Esse é um mercado que movimentou R$ 6,2 bilhões de reais em 2025 com
crescimento de 28% da área tratada. São 194 milhões de hectares tratados com
bioinsumos no Brasil e boa parte dessa área voltada para fruticultura”,
destacou.
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