(De acordo com o levantamento, métodos construtivos industrializados podem ajudar a reduzir o déficit habitacional e aumentar a eficiência do setor)
(FOTO: TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL)
A
ampliação dos sistemas construtivos industrializados pode ser um dos caminhos
para aumentar a produtividade da construção civil brasileira, reduzir o tempo
de execução de obras e ampliar a oferta de moradias no país. A avaliação faz
parte do estudo “Construção no Brasil: Agenda
para Modernização do Setor”, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O
levantamento defende a expansão de modelos conhecidos como construção off-site,
nos quais partes de edifícios e obras são produzidas em ambiente industrial e
posteriormente montadas nos canteiros.
Segundo
a entidade, a adoção dessas tecnologias pode trazer ganhos de eficiência
semelhantes aos observados na indústria de transformação e ajudar a enfrentar
desafios como o déficit habitacional e a necessidade de ampliação da
infraestrutura nacional.
Para
acelerar esse processo, o estudo sugere que o poder público utilize seu poder
de compra para estimular a adoção de métodos industrializados. Entre as
propostas está a criação de uma cota de unidades produzidas por esses sistemas
no programa Minha Casa, Minha Vida, medida que também poderia contribuir para
reduzir o tempo de entrega dos empreendimentos habitacionais.
Para
o especialista de Políticas e Indústria da CNI, Inacio Cozendey, a construção
industrializada permite incorporar ao setor práticas já consolidadas na
manufatura.
"Esse
cenário ajuda a explicar o déficit habitacional de quase 6 milhões de unidades
que o Brasil tem, e também uma infraestrutura carente de investimentos. A gente
aponta que a construção industrializada, isso é, a construção em indústrias de
partes de edifícios e de obras com ambientes controlados e repetição de
processos, permitiria ganhos semelhantes aos da manufatura quando tratamos de
produtividade, pois isso permite melhorias importantes trazidas por técnicas de
manufatura enxuta e digitalização dos processos produtivos", considera.
Redução
da produtividade
O
diagnóstico apresentado pela CNI mostra que a produtividade da construção civil
brasileira vem perdendo força nas últimas décadas. Entre 1995 e 2024, a
produtividade da população ocupada no setor recuou 20,4%. Em 2024, cada
trabalhador gerou, em média, R$ 41,3 mil por ano, ante mais de R$ 50 mil anuais
observados em meados da década de 1990.
Ainda
segundo o levantamento, a produtividade do trabalhador da construção
corresponde atualmente à metade da registrada na indústria de transformação. Em
comparação internacional, o trabalhador brasileiro produz o equivalente a
apenas 7% do registrado nos Estados Unidos.
De
acordo com o estudo, uma das principais razões para essa diferença é o
predomínio do modelo tradicional de construção, baseado em atividades
executadas diretamente nos canteiros de obras e com baixa participação da
indústria no processo produtivo.
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