(Consulta Livre, Prévia e Informada contou com diálogo, escuta e desenvolvimento do Sistema Jurisdicional entre Estado e agricultores)
(Foto: Divulgação)
Famílias e lideranças da Agricultura Familiar
participaram, entre os dias 5 e 7, no município de Novo Repartimento, região
Sudeste do Pará, da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) sobre o Sistema
Jurisdicional de REDD+ do Pará (SJREDD+). Realizada pela Secretaria de
Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, esta é a 24ª consulta, das
48 previstas, para a elaboração e concepção da política estadual de redução de
emissões por desmatamento e degradação florestal.
A secretária-adjunta de Gestão de Águas e
Clima da Semas, Renata Nobre, falou sobre a importância do processo e a forma
como as contribuições vêm sendo incorporadas.
“A CLPI é uma etapa essencial para assegurar
que a construção do Sistema Jurisdicional de REDD+ do Pará considere as
contribuições das comunidades envolvidas. A dinâmica adotada favorece o
compartilhamento de informações, o diálogo aberto e a escuta das diferentes
perspectivas, permitindo que as propostas sejam formuladas de maneira conjunta.
A presença de representantes de diversos municípios amplia esse processo,
tornando-o mais diverso e alinhado às realidades locais”, concluiu.
O cronograma de ações foi pensado para
incluir momentos informativos, consultivos e deliberativos, criando espaço
tanto para a apresentação de conteúdos quanto para conversas e trocas de ideias
entre os participantes. A construção das propostas aconteceu de forma coletiva,
com a participação de representantes dos municípios de Novo Repartimento,
Itupiranga, Tailândia, Tucuruí, Pacajá e Breu Branco, finalizando com 100% das
assinaturas dos consultados para o termo de consentimento.
Dulcilene Santos, agricultora familiar do
município de Tailândia, destacou a relação entre produção agrícola e
preservação ambiental, ressaltando a necessidade de apoio estrutural.
“A gente sabe que depende das políticas
públicas, seja no município, no estado ou no âmbito federal. Mas também sabemos
que tudo isso precisa chegar até o homem e a mulher do campo. E quando falamos
de produção, falamos também de preservação ambiental. A nossa intenção não é
destruir o meio ambiente, mas sim preservar. Só que, para isso, precisamos de
infraestrutura e apoio, para continuar produzindo com qualidade, sem precisar
degradar.”, destacou Dulcilene.
Prevista na Convenção 169 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é integrante, a Consulta
Livre, Prévia e Informada (CLPI) garante que povos indígenas e comunidades
tradicionais tenham voz em processos e decisões que possam trazer impactos para
seus territórios e suas formas de vida. Direitos também assegurados pela
Comissão Estadual de REDD+ (CONAREDD+), que estabelece diretrizes para a
implementação de programas jurisdicionais REDD+, projetos públicos e projetos
privados de créditos de carbono florestal em terras públicas e territórios
coletivos.
No Pará, a iniciativa também é acompanhada e
apoiada pela Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SEAF), Federação dos
Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF-PA) e pela Federação dos
Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Pará
(FETAGRI-PA), que colaboram na mobilização e intermédio com as lideranças da
agricultura familiar.
O coordenador de Sociobioeconomia, Proteção
de Territórios, Saberes e Comunidades Tradicionais da SEAF, Josimar
Vasconcelos, destacou o papel estratégico da agricultura familiar na
preservação ambiental e na produção de alimentos no Pará, além da importância
da participação dos trabalhadores rurais na construção do Sistema Jurisdicional
de REDD+ do Estado:
“A agricultura familiar tem uma importância
muito expressiva no Pará. São famílias que produzem alimentos ao mesmo tempo em
que cuidam da floresta. Por isso, é fundamental que agricultores e agricultoras
familiares sejam ouvidos durante o processo de construção do Sistema
Jurisdicional de REDD+ do Pará.”, disse Josimar.
Enfatizando a importância da escuta ativa por
parte do poder público, Dulcilene reforçou o papel das consultas no
fortalecimento das políticas voltadas ao campo.
“A gente já vem participando de várias ações,
inclusive em Belém, e a CLPI tem sido algo muito importante na nossa vida hoje.
Essas consultas representam a oportunidade do governo ouvir quem está lá no
campo. É o momento em que a gente sai do sítio, vem até aqui e consegue falar
das nossas dificuldades, dizer o que precisamos e como essas políticas podem
realmente chegar até nós e fazer diferença na roça. Ainda temos muito a
aprender, mas já é algo extremamente significativo para o momento que estamos vivendo.”,
disse Dulcilene.
Francisco da Cunha, agricultor familiar do
município de Itupiranga, ressaltou a importância do protagonismo dos próprios
participantes na construção das propostas.
“É muito positivo ver que o Estado abre
espaço para que a gente diga como quer as coisas. Não é algo imposto. Nós
estamos aqui justamente para contribuir, para dizer o que queremos para o
futuro, sempre pensando na preservação ambiental e no desenvolvimento
sustentável.”, ressaltou Francisco.
Ao falar sobre o significado da CLPI dentro
da realidade da agricultura familiar, Valdenez Batista, conhecido como Nego da
Rádio, destacou a relação direta da consulta com a rotina produtiva no campo.
“O mais importante desse sistema é que a
gente não fica preso apenas ao que o governo determina. A CLPI nos dá liberdade
para construir dentro da agricultura familiar e mostrar a nossa realidade. Lá
na minha propriedade, por exemplo, a gente trabalha com cacau, arroz, milho,
mandioca, frutas, legumes e banana. Então, a CLPI traz essa segurança de que
podemos produzir pensando no nosso benefício, mas também no benefício da
sociedade, sempre buscando trabalhar de forma correta e sustentável.”, projetou
Valdenez.
Ao avaliar a participação na consulta sobre o
REDD+, Valdenez destacou o aprendizado adquirido ao longo dos encontros
realizados no município.
“Eu nunca tinha ouvido falar do REDD+ antes
desses encontros. Então, participar dessa consulta aqui em Novo Repartimento
foi muito importante para entender como esse sistema pode ajudar na nossa
missão enquanto agricultores familiares. Foram três dias de muito aprendizado,
onde recebemos informações que antes não tínhamos. Isso foi importante não só
para mim, mas para todos os agricultores dos assentamentos que participaram.”
Francisco também apontou as possibilidades de
geração de renda aliadas à conservação ambiental através da construção da
Agricultura Familiar no REDD+ Jurisdicional.
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