terça-feira, 14 de abril de 2026

III SEMANA DOS POVOS INDÍGENAS REÚNE PROGRAMAÇÃO DIVERSA E PROTAGONISMO INDÍGENA EM BELÉM

(Evento integra debates, feiras, cidadania e programação cultural no Parque da Cidade)


A dois dias da abertura, a III Semana dos Povos Indígenas já mobiliza lideranças, instituições e comunidades para quatro dias de intensa programação no Parque da Cidade, em Belém. Com o tema “Onde a ancestralidade vira decisão”, o evento, realizado pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), em parceria com a Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), consolida-se como um dos maiores encontros indígenas da região Norte, reunindo debates estratégicos, atividades culturais e ações de cidadania. 

A programação inicia na quinta-feira (16), com acolhimento das delegações indígenas, atendimentos sociais e a abertura institucional.

Um dos principais destaques desta edição é o Seminário da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), realizado pelo Governo Federal, pelo MPI, que ocorre ao longo dos dois primeiros dias do evento. A iniciativa promove oficinas de planejamento, avaliação e fortalecimento da gestão ambiental e territorial em nível regional, além de reforçar o protagonismo indígena nas decisões sobre seus territórios. 

A secretária interina da Sepi, Roseli Pantoja, destaca que a construção da programação parte do diálogo direto com as lideranças. “Organizar mais uma edição da Semana dos Povos Indígenas é, antes de tudo, um exercício de escuta e de construção coletiva. Cada detalhe da programação nasce do diálogo com as lideranças e do respeito aos modos de vida dos povos originários. Este ano, chegamos ainda mais fortalecidos, com uma proposta que valoriza a ancestralidade como algo vivo, presente nas decisões, nos saberes e nas práticas do dia a dia. A expectativa é de um encontro potente, que reafirme direitos, visibilize culturas e aproxime a sociedade dessa diversidade que nos constitui.”

Ainda no primeiro dia, ocorre a apresentação e eleição dos novos membros do Conselho Estadual de Política Indigenista (Consepi), além de atividades recreativas voltadas às crianças e a oferta de serviços por meio das ações de cidadania ao público indígena, que incluem emissão de documentos, regularização de cadastro único e atendimentos de assistência social. 

Ao longo da programação, oficinas e encontros também fortalecem o intercâmbio de saberes, como a oficina de comunicação indígena “Pelas lentes da ancestralidade” e o Encontro de Defensores e Defensoras Indígenas da Bacia do Tapajós, voltado à governança hídrica.


Na sexta-feira (17), a programação ganha novos espaços com a abertura da Feira de Etnobioeconomia Ancestral e da Feira de Gastronomia, que seguem até o encerramento do evento, reunindo produtos, saberes e práticas tradicionais. O dia também conta com rodas de conversa, como a realizada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que aborda a realidade de indígenas refugiados em contexto urbano, e a mesa da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), dedicada à educação escolar indígena. 

Ronaldo Amanayé, coordenador executivo da Fepipa, reforça o protagonismo indígena na construção do evento. “Para nós da Fepipa, é fundamental estarmos à frente de um evento que fortalece as vozes dos povos indígenas e valoriza as mais diversas culturas. A Semana é um espaço de protagonismo, intercâmbio e afirmação dos territórios e saberes tradicionais.”

O sábado (18), reforça o caráter formativo e de integração intercultural, com a continuidade das feiras, oficinas e encontros, além da reunião preparatória da oficina sobre o Sistema Jurisdicional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (SJREDD+), voltada à capacitação de lideranças indígenas. As seletivas dos jogos indígenas movimentam o dia com competições em modalidades como futebol, futsal, vôlei e cabo de força, promovendo integração entre diferentes povos. A programação também inclui roda de conversa com artistas e o desfile de moda ancestral.

No domingo (19), último dia do evento, acontecem as finais dos jogos indígenas e a continuidade das atividades formativas e das feiras. O encerramento institucional reúne entregas importantes, como o Plano de Consulta do Sistema Jurisdicional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (SJREDD+), a posse dos conselheiros do Conselho Estadual de Política Indigenista (Consepi), o lançamento de ações de leitura da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e a assinatura de acordos institucionais.

Programação cultural celebra identidade amazônida 

A programação cultural, incluindo apresentações indígenas, ocorre em todos os dias do evento, das 19 às 22h, e reafirma o protagonismo dos povos indígenas por meio da arte, da música e das expressões tradicionais. No dia 16 de abril, o público acompanha os shows de Cássio Costa e Parananin. No dia 17, a programação segue com Pinduca, ícone da música paraense.

No dia 18, o destaque é o desfile de moda ancestral assinado pelo estilista Maurício Duarte, seguido de apresentações do DJ Éric Terena e da banda 100 Limites. O encerramento, no dia 19 de abril, será marcado pelo Arraial do Pavulagem, com o tema “Cortejo pela ancestralidade viva”. O espetáculo irá levar o cortejo com participação dos povos originários pelo Parque da Cidade, além da apresentação do grupo no palco, unindo música, dança e identidade amazônica.

Com informações de Eva Pires (SEPI) e Ag. Pará

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