(Cerca de 327 famílias do Acampamento Pôr do Sol estão há 12 dias em frente ao Incra de Marabá, reivindicando a destinação de terras públicas e agilidade no processo de assentamento.)
(Fotos: Evangelista Rocha)
Cerca
de 327 famílias ligadas ao Acampamento Pôr do Sol mantêm, há 12 dias, uma
ocupação em frente à sede da superintendência do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Marabá. O grupo, que anteriormente
estava acampado às margens do Rio Itacaiunas, às proximidades do Bairro da Paz,
decidiu transferir a mobilização para a porta do órgão federal como forma de
pressionar pela vistoria e destinação de terras públicas para assentamento.
A
organização do movimento afirma que as famílias, estimadas aproximadamente 600
pessoas entre adultos e crianças, estão cadastradas no sistema do governo desde
2023, mas o processo de obtenção de terra não avançou no ritmo esperado.
Segundo Manuel Floriano Gomes, um dos fundadores e organizadores do
acampamento, a paciência do grupo “se esgotou diante da lentidão do Estado”.
Diferente
de outras ocupações que buscam a desapropriação de fazendas, o Pôr do Sol
reivindica o acesso legal a áreas que já pertencem à União. No local, a rotina
é de resistência, pois enquanto parte do grupo sai para trabalhar e garantir o
sustento, outros permanecem na vigilância das barracas e na manutenção da
cozinha coletiva.
“A
gente resolveu pressionar o Governo a assentar essas famílias porque as áreas
de ocupação andaram, mas as áreas de acampamento, não. A questão de quem ainda
não tem acesso à terra está travada. Por isso, montamos acampamento aqui por
tempo indeterminado e não pretendemos levantar enquanto não for resolvido nosso
problema”, afirma Floriano.
Resistência
e apoio
O
movimento conta com o suporte jurídico e logístico da Federação dos
Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e
da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Floriano explica que, embora o Incra tenha
sinalizado que o processo está “avançado” e que terras públicas estão sendo
identificadas, não há uma localização exata ou prazo definido para a entrega.
Mesmo
sob condições precárias e a frequência de chuvas, o líder destaca que a
mobilização segue pacífica, sem o intuito inicial de fechar rodovias ou
ferrovias, apoiando-se no diálogo institucional (ainda que não descarte
estratégias mais firmes caso não haja respostas).
“Nós
queremos o processo legal, do jeito que foi prometido para nós, ninguém quer
invadir fazenda. Queremos que o governo faça as vistorias e levante essas
terras públicas. Os dias aqui são precários, chove, molha tudo, mas a gente não
vai ceder. Queremos resistir até conseguir o objetivo”, pontua.
O
Acampamento Pôr do Sol surgiu em março de 2022, em Marabá, começando com apenas
60 famílias. Em dois anos, o número saltou para mais de 300 famílias. Até a
semana retrasada, o grupo ocupava uma área aos fundos do Bairro da Paz, sentido
Tibiriçá, mas a falta de evolução nas vistorias de campo motivou a
transferência da estrutura para a frente da Superintendência Regional do Incra
(SR-27).
Procurada
pela reportagem, a assessoria da superintendência do Incra Marabá afirmou que o
coletivo foi recebido pelo órgão e apresentaram suas demandas. A pauta deles
foi recepcionada e está sendo trabalhada de maneira a verificar se apresenta
viabilidade para atendimento.
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