(Empresa tem fábrica e porto no Oriente Médio e está de olho no conflito)
A
mineradora Vale decidiu suspender as viagens de seus funcionários para o
Oriente Médio e está oferecendo apoio aos colaboradores que atuam na região. A
medida foi tomada diante da intensificação do conflito que chega ao sexto dia
nesta quinta-feira (5).
Na
região, a empresa mantém uma fábrica de pelotas na cidade de Sohar, em Omã, com
capacidade de produção anual de 9 milhões de toneladas. No mesmo local também
funciona um centro de distribuição capaz de movimentar cerca de 40 milhões de
toneladas de produtos de minério de ferro por ano.
A
companhia informou que acompanha atentamente os possíveis impactos do conflito
iniciado no sábado (28), após o assassinato do líder supremo do Irã, o
aiatolá Khamenei, em uma ação atribuída aos Estados Unidos e a Israel, segundo
informações divulgadas em nota enviada à Reuters.
De
acordo com a empresa, a situação no Oriente Médio está sendo monitorada de
perto e qualquer desenvolvimento relevante será comunicado ao mercado
oportunamente.
Além
da fábrica e do centro de distribuição, a Vale possui na região um porto de
águas profundas que permite a atracação de grandes navios graneleiros. O
terminal funciona como um importante ponto logístico para o abastecimento de
mercados na Europa, Ásia e África, sendo considerado uma das principais bases
internacionais da mineradora brasileira.
A
empresa também tem ampliado sua presença no Oriente Médio com projetos voltados
à criação de Mega Hubs para produção de aço de baixo carbono em países como
Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos.
Retomada
parcial de voos
Após
vários dias de interrupções, alguns voos que partem do Oriente Médio começaram
a ser retomados nesta quinta-feira. Países europeus como Alemanha, Espanha e
Holanda já receberam voos de repatriação com sucesso.
Nos
Emirados Árabes Unidos, as companhias aéreas Emirates e Etihad Airways voltaram
a operar um número limitado de voos. No Aeroporto Internacional Zayed, em Abu
Dhabi, as operações também foram retomadas de forma restrita, segundo a
assessoria de imprensa local.
A
Qatar Airways anunciou que realizará voos de repatriação partindo de Mascate,
em Omã, com destino a várias cidades europeias. No entanto, as operações que
saem de Doha permanecem temporariamente suspensas devido ao fechamento do
espaço aéreo do Catar.
Impactos
diplomáticos
O
fechamento do espaço aéreo foi um dos temas discutidos em conversa telefônica
entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o chanceler
dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan. O diálogo ocorreu a
pedido do ministro emiradense.
Durante
a conversa também foi abordado o desdobramento da visita do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva a Abu Dhabi, onde ele se reuniu no dia 24 com o presidente
dos Emirados Árabes Unidos, xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan.
A
viagem teve forte foco econômico, além da agenda diplomática. O governo
brasileiro buscava ampliar acordos de preferências tarifárias e fortalecer a
presença do país em cadeias globais ligadas a minerais críticos, tecnologia e
alimentos.
O
agravamento da guerra também pode adiar o encontro entre Lula e o presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump. Inicialmente previsto para o início de março
e depois reagendado para o dia 16, o encontro pode sofrer novo adiamento,
segundo o Itamaraty.
Questões
que estavam no centro das negociações, como tarifas comerciais e minerais
raros, podem perder prioridade diante de novos temas estratégicos para o
governo brasileiro, especialmente relacionados à energia e ao petróleo, após o
fechamento do Estreito de Ormuz.
Com
informações de Patrícia Aranha, Notícias de Mineração e Gazeta Carajás
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