(Com presença crescente em funções operacionais e de comando, profissionais celebram avanços na ocupação de espaços historicamente masculinos em todo o Estado)
(Fotos:
Ag; Pará)
As
mulheres vêm quebrando muitos paradigmas ao longo dos anos e, dentre eles,
marcando sua presença cada vez mais importante dentro dos órgãos e instituições
de segurança no Estado do Pará. Hoje, já são mais de cinco mil
profissionais atuando em funções e cargos tanto administrativos quanto
operacionais, com a missão de resguardar vidas, garantindo os direitos dos
cidadãos paraenses por meio de ações de segurança pública e defesa social em
todo o Estado.
Para
que hoje, no ano de 2026, essa presença fosse mais constante, muitas
desbravaram uma longa jornada, abrindo caminho para que outras mulheres
pudessem ingressar nas corporações e, assim, atuar em cargos que antes eram
ocupados apenas por homens. É o caso da 3ª sargento do Corpo de Bombeiros
Militar, Kelly Cardoso, que fez parte da primeira turma feminina de combatentes
que ingressou na corporação há quase 19 anos. Nesse período, ela conquistou a
1ª colocação entre os militares em uma ação de abordagem técnica em tentativa
de suicídio.
“Nunca
planejei a carreira militar, mas me apaixonei pela profissão assim que
ingressei. Faço parte da primeira turma feminina de combatentes da corporação;
até 2007, a linha de frente era composta exclusivamente por homens, restando às
mulheres apenas a área de assistência. Foi um processo desafiador, mas muito
gratificante. Hoje, nossa capacidade técnica em missões operacionais é
plenamente reconhecida”, destaca a bombeira militar.
A
delegada de Polícia Civil Daniela Santos ingressou no órgão há 18 anos, em
busca de estabilidade, e hoje ocupa a direção da Academia de Polícia
(Acadepol). Antes, ela também atuou por quatro anos como delegada-geral
adjunta. Ela ressalta o desafio de trabalhar em uma profissão que teve como
alicerce um viés masculino.
“Com
o tempo, percebi que os obstáculos enfrentados não eram limitações pessoais,
mas reflexos de uma cultura institucional construída sob vieses masculinos.
Embora existam avanços, ainda há desafios estruturais, como a concentração de
mulheres em nichos específicos como as DEAMs, o ensino e a saúde. Ocupar
postos operacionais de maior prestígio interno permanece como uma fronteira que
estamos atravessando”, lembra a delegada
Nos últimos cinco anos, o Estado também avançou no número de mulheres que atuam nos órgãos de segurança e hoje soma mais de cinco mil profissionais na segurança pública do Pará. Entre elas, há mulheres em cargos de liderança e em diretorias de polícia.
A
tenente-coronel da Polícia Militar Ilanise Lisboa atua atualmente como
coordenadora de segurança da Segup e destaca o espaço que as mulheres
vêm conquistando ao longo dos anos, tanto na capital quanto no interior do
estado.
“Ocupamos
nosso espaço gradualmente. Antes restritas a funções assistenciais ou
administrativas, demonstramos competência para atuar em missões especializadas
ao lado dos homens, conquistando a confiança do comando. Esse avanço fortalece
nossa presença em todos os setores e nos permite projetar, no futuro, a chegada
de mulheres aos mais altos postos de liderança da corporação”, pontua Ilanise
Lisboa.
Atuar
em uma área tão específica e que exige uma dedicação intensa e uma visão mais
operacional como a da segurança pública é fruto de uma influência que vem de
família, como no caso da policial Penal, Monique Quaresma, que há oito anos
trabalha na área. Destes dois anos atuou como Guarda Municipal e seis na
Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, onde assume função no
Grupo de Ações Penitenciária. A policial contou com incentivo do pai que
trabalhava com segurança particular o que a direcionou para a área da
segurança.
“Meu
pai sempre quis ser militar, mas ele teve pouco estudo, então nunca conseguiu.
Foi ele quem me trouxe para esse meio. Acabou que, inconscientemente, eu fui
adquirindo e comprando essa ideia. Hoje faço parte do Grupo de Ações
Penitenciárias, e percebo que as mulheres vêm aumentando sua presença em cargos
de comando e também em cargos de linha de frente. Isso é algo relativamente
recente. Também passou a existir um número de vagas pré-determinado para
mulheres. Percebo que hoje existe essa necessidade de ter mulheres no meio, não
apenas ocupando cargos comuns, mas também em posições de comando e liderança, a
exemplo de onde estou lotada que é comandado por uma mulher, a Eslane Almeida.
Assim como ela, na Polícia Militar também já existem mulheres no comando de
alguns batalhões, algo que não era tão comum antigamente. Acredito que, de
fato, as mulheres vêm conquistando esse cada vez mais esse espaço”, pontuou
Monique.
O
titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup),
Ed-Lin Anselmo, ressalta o protagonismo feminino nas instituições paraenses. “O
crescente protagonismo feminino nas instituições paraenses reflete uma nova
perspectiva social que valoriza a força da mulher. No Pará, incentivamos que
elas escolham onde desejam atuar, pois quaisquer barreiras que impeçam essa
liberdade devem ser erradicadas e tratadas como discriminatórias. O Estado
reafirma seu compromisso em fortalecer e destacar o trabalho feminino em todos
os órgãos de segurança”, destaca o secretário.
Com
informações de Walena Lopes (SEGUP) e Ag. Pará
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