(Desintrusão foi concluída em 2024, mas ainda há ameaças)
(Foto: Bruno Peres/Agencia Brasil)
Dois
anos depois da retirada de invasores da Terra Indígena (TI)
Apyterewa, no sudeste do Pará, o povo Parakanã está reocupando
os limites do território e fazendo planos para o futuro. Apesar
disso, ainda enfrenta reflexos de anos de ocupação ilegal de
produtores rurais e grileiros. O programa Caminhos da
Reportagem mostrará, em sua edição desta segunda-feira (2), às 22h30,
na TV Brasil, o trabalho dos órgãos governamentais para manter a TI
Apyterewa livre de invasores e
a organização dos Parakanã para manter o controle
total de seu território.
As
ações de retirada dos invasores de terras indígenas, chamadas de
desintrusão, foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal
(STF) em 2023. Na TI Apyterewa, o processo começou em outubro do
mesmo ano.
De
acordo com a Casa Civil da Presidência da República, que coordenou o trabalho
conjunto de 20 órgãos e agências federais, as operações de desintrusão
ocorreram em nove territórios da Amazônia Legal onde vivem 60 mil indígenas.
Segundo Nilton Tubino, que esteve à frente das ações, o processo em
Apyterewa foi o mais tenso de todos devido principalmente à interferência de
políticos e fazendeiros que tentaram barrar a operação.
“A grande pressão era a quantidade de
gado. Nesse processo, foi construída uma vila que era utilizada próximo da base
[da Funai]. No meio da terra tinha um posto de gasolina, vários comércios e
igrejas”, explica Tubino.
Segundo
o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), os mais de 2 mil não
indígenas que viviam no território foram retirados logo nos
primeiros meses e, em março de 2024, a TI foi simbolicamente devolvida
aos Parakanã.
Apesar
de não haver mais não indígenas vivendo ilegalmente em Apyterewa, as
ações das agências governamentais continuam, já que parte do rebanho
bovino de fazendeiros locais ainda pasta dentro da TI.
Embora
a maior parte das 50 mil cabeças de gado tenha sido retirada
pelos próprios pecuaristas durante a desintrusão, ainda restaram
cerca de 1.300 bovinos espalhados em 43 pontos do território, de acordo com
monitoramento feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama).
Com
Informações de Ana Passos da TV Brasil

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