sexta-feira, 13 de março de 2026

PESCADORES BLOQUEIAM ROD. TRANSAMAZÔNICA EM PROTESTO CONTRA EXPLOSÃO DO PEDRAL DO LOURENÇO, NO PARÁ

(Ato no km 35 entre Marabá e Itupiranga, no sudeste do estado, reúne ribeirinhos e MAB contra hidrovia Araguaia-Tocantins. MPF contesta licenças ambientais e indenizações.)

(Foto: Anna Mathis/ MAB Pará)

Dezenas de pescadores artesanais, ribeirinhos e militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) bloquearam, na manhã desta quarta-feira (12), a Transamazônica (BR-230/PA) no km 35, entre Marabá e Itupiranga, no sudeste do Pará.

O ato protesta contra o projeto de explosão do Pedral do Lourenço, autorizado pela Justiça para facilitar o escoamento de commodities pela Hidrovia Araguaia-Tocantins.

A manifestação faz parte de uma série de ações simultâneas em MocajubaAltamira e Miritituba, coordenadas pelo MAB durante a Jornada Nacional de Lutas. O foco é o derrocamento do Pedral do Lourenço, que prevê até três detonações diárias por três anos para abrir um canal de 100 metros de largura, permitindo a passagem de barcaças com soja, minério e grãos rumo ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena.

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu em fevereiro contra a decisão do juiz André Luís Cavalcanti, da 9ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Pará, que validou a licença em dezembro de 2025, apesar de falhas anteriores.

O procurador Rafael Martins da Silva aponta ausência de consulta prévia às comunidades, exigida pela Convenção 169 da OIT, e lacunas nos estudos do Ibama, como dados insuficientes sobre fauna e pesca.

"Não houve participação real das comunidades tradicionais, ribeirinhos e quilombolas", criticou Jaqueline Damasceno, advogada do MAB.

O MPF também questiona a indenização de um salário mínimo mensal aos pescadores pelo DNIT, considerada insuficiente para sustentar famílias que faturam até R$ 3 mil em 15 dias de boa pesca.

O g1 solicitou posicionamento ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelo projeto e indenizações; ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), emissor da licença ambiental; e ao Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra), envolvido no mapeamento das comunidade, mas ainda aguardava resposta até a última atualização da reportagem.

COM INFORMAÇÕES DO G1/PARÁ

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