(Trânsito de Marabá, que já está caótico, deve piorar ainda mais quando as obras iniciarem)
Após mais de seis meses de análises técnicas detalhadas, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) decidiu que será necessário implodir as duas pontes sobre o Rio Itacaiunas, em Marabá. A medida atinge tanto a estrutura mais recente, com apenas 16 anos de existência, quanto a mais antiga, que já ultrapassa quatro décadas de uso.
A
informação foi repassada à Reportagem do Correio de Carajás na tarde de
quarta-feira (18) e confirmada por uma fonte do DNIT, em Brasília, na
manhã desta quinta-feira (19). O órgão federal prepara, inclusive, uma nota
oficial que deve ser divulgada até esta sexta-feira, comunicando formalmente a
decisão à população.
De
acordo com a fonte, a ponte mais nova apresenta problemas estruturais
considerados insanáveis, o que inviabiliza qualquer tentativa de recuperação.
Já a ponte mais antiga, com mais de 45 anos de funcionamento, sofre com
desgaste natural e opera há anos com sobrecarga superior à prevista em seu
projeto original.
A
decisão é considerada drástica e deve provocar impactos profundos na mobilidade
urbana e regional. As pontes são fundamentais para o tráfego na Rodovia
Transamazônica, servindo de ligação não apenas entre bairros de Marabá, mas
também entre municípios e até estados.
Nos
próximos dias, o DNIT deve se reunir com representantes da Prefeitura de Marabá
para apresentar o plano e discutir medidas emergenciais. Entre os pontos
críticos está a necessidade de melhorar os acessos à Ponte Ana Miranda,
inaugurada no final de 2024, que deverá absorver parte significativa do
tráfego.
O
problema, no entanto, é estrutural. As vias de acesso ao Bairro Vale do
Itacaiunas são estreitas e atualmente não comportam o fluxo intenso de veículos
pesados. Caminhões, inclusive, estão impedidos de utilizar a nova ponte, o que
exigiria desapropriações, alargamento de vias e até a redistribuição do
trânsito na Avenida 2000.
Apesar
da urgência, o cronograma ainda está distante de uma solução prática. As
licitações para a implosão e construção da primeira ponte devem ocorrer apenas
no final deste ano. Isso significa que a população de Marabá ainda terá de
conviver por um longo período com o atual cenário de congestionamentos,
restrições e incertezas.
O
custo estimado de cada nova ponte gira em torno de R$ 120 milhões, podendo
ultrapassar esse valor. No entanto, ainda não há previsão orçamentária definida
na União para viabilizar as obras, o que aumenta a preocupação sobre prazos e
execução.
Outro
ponto que permanece em aberto é a responsabilidade técnica pela ponte mais
nova, construída pela CMT Engenharia. Não há confirmação se a estrutura ainda
está dentro do período de garantia contratual.
Linha
do tempo do problema
Os primeiros sinais de comprometimento da ponte mais recente surgiram ainda em 2017. Na época, o fotógrafo Jordão Nunes identificou um afundamento no vão central da estrutura e registrou imagens que chamaram atenção para o problema. A situação levou à mobilização de engenheiros da Prefeitura de Marabá, que constataram a presença de fissuras na parte superior e inferior da ponte.
O
projetista da obra chegou a visitar o município e afirmou, naquele momento, que
os sinais observados eram normais dentro dos primeiros anos de funcionamento.
No entanto, ao longo dos anos seguintes, a estrutura continuou apresentando
deformações progressivas.
Em
27 de setembro de 2025, uma equipe de especialistas esteve em Marabá para uma
vistoria técnica aprofundada. Pouco tempo depois, em 22 de novembro, a ponte
foi interditada para o tráfego de veículos pesados, como caminhões e carretas.
Desde
então, uma empresa especializada passou a monitorar as duas pontes com o uso de
sensores instalados ao longo das estruturas. O estudo ainda está em andamento e
busca identificar, com precisão, as causas das fissuras e do comprometimento
estrutural que levaram à decisão extrema anunciada agora pelo DNIT.
Com
informações de Ulisses Pompeu e Josseli Carvalho/Correio de Carajás


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