sábado, 21 de fevereiro de 2026

INDÍGENAS OCUPAM TERMINAL PORTUÁRIO DE MULTINACIONAL EM SANTARÉM

(Os manifestantes decidiram ocupar as instalações da empresa após ordem judicial para desocupação da área onde o protesto contra o decreto 12.600/25 ocorre desde 22 de janeiro.)


(Foto: Coletivo Apoena Audiovisual)

Indígenas das região do baixo, médio e alto Tapajós, que há 31 dias bloqueiam o acesso de veículos ao complexo portuário de Santarém, no oeste do Pará, invadiram o terminal da multinacional do agronegócio (Cargill) na madrugada deste sábado (21).

A decisão, de acordo com os indígenas, foi tomada por falta de resposta do governo federal à principal reivindicação do movimento, que é a revogação do decreto assinado pelo presidente em 28 de agosto de 2025.

A invasão também foi motivada pela ordem de desocupação no prazo de 48 horas (a partir da notificação) da área onde o protesto é realizado. Eles foram notificados por um oficial de justiça às 08h de sexta-feira (20).

"Nossa decisão não foi impulsiva nem violenta. Foi construída coletivamente, a partir da escuta dos mais velhos, de análises jurídicas e políticas e da indignação diante do Decreto nº 12.600, assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (...). Estamos aqui porque defendemos o direito de existir. Durante trinta dias aguardamos posicionamento oficial do Governo Federal", diz trecho da carta aberta do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns.

O CITA diz que solicitou diálogo com a Presidência da República, a Casa Civil e o Ministério dos Transportes sobre os impactos do decreto nos territórios indígenas e nas comunidades tradicionais atingidas pelo chamado "Arco Norte", mas que não houve resposta efetiva até este sábado.

Em rede social, a liderança indígena Olisil Oliveira também explicou os motivos da invasão, que segundo ele, ocorreu pacificamente, e afirmou que os indígenas só deixarão o local quando presidente da republica revogar o decreto.

"E essa ocupação aconteceu de forma pacífica, aonde os trabalhadores foram tirados, tiveram a oportunidade de pegar seus pertences e sair daqui. Em nenhum momento houve agressão a esses trabalhadores. E a gente vai continuar aqui até o presidente revogar o decreto", disse Olisil Oliveira.

Imagens do circuito interno da multinacional mostram que houve vandalismo, inclusive com quebra de câmeras da empresa durante a invasão

Com informações de Sílvia Vieira, g1 Santarém 

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