A rede de atendimento que atua no acolhimento de vítimas de escravidão contemporânea de São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, participou nesta quinta-feira (09), de capacitação promovida pelo Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT PA-AP). O encontro realizado em parceria com a Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento (PADF) e Ministério Público do Pará (MPPA), reforça as ações de combate ao trabalho em condições análogas à de escravo e ao tráfico de pessoas.
Este é o terceiro município a receber o projeto estratégico da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete), que visa capacitar a rede de atendimento às vítimas da exploração do trabalho escravo contemporâneo para que saibam o seu papel em relação à prevenção, ao combate e ao atendimento no pós-resgate. Os trabalhos já foram desenvolvidos nos municípios de Marabá e Ulianópolis. A iniciativa prevê ainda ações em Dom Eliseu e Redenção, escolhidos por conta dos elevados registros de resgates de trabalhadores nos últimos anos, de acordo com dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas.
Objetiva-se
com o projeto que os servidores do município saibam identificar possíveis casos
de tráfico de pessoas e de trabalho em condições análogas à de escravo e saibam
como proceder, fazendo os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes”,
destacou a procuradora do Trabalho, Silvia Silva, coordenadora regional da
Conaete no Pará e Amapá.
Ainda
segundo a procuradora, “o trabalho em condições análogas à de escravo é uma
realidade no estado do Pará e em municípios como São Félix do Xingu, com
dimensão territorial significativa e com distritos longínquos, essa
problemática se acentua significativamente, necessitando esforço e engajamento
do gestor local para enfrentamento do problema, com definições de políticas
públicas voltadas para a prevenção e combate ao trabalho escravo”.
A
mesa de abertura contou com a participação da procuradora do Trabalho,
Silvia Silva; da diretora técnica da PADF no Brasil, Irina Bacci; da
secretária Executiva Municipal de Trabalho e Promoção Social – SEMTEPS, Silvia
Regina da Silva; do juiz Federal do Trabalho, Eduardo Ezon Nunes dos
Santos Ferraz; e do Delegado de Polícia Federal, Leonardo Araújo de Almeida.
As
palestras abordaram a “Atuação do Ministério Público do Trabalho no combate ao
trabalho escravo”, com destaque para o Grupo Móvel Regional de combate ao
trabalho escravo e tráfico de pessoas e o projeto nacional de capacitação da
rede de atendimento às vítimas, apresentado pela procuradora Silvia Silva; e os
“Aspectos jurídicos para o enfrentamento do tráfico de pessoas: principais
desafios e questões práticas correlatas”, apresentado pela promotora Herena
Melo, que participou virtualmente.
Já
o representante da Polícia Federal, delegado Leonardo Almeida, falou sobre a
atuação da instituição no combate ao trabalho escravo e tráfico de pessoas. O
técnico psicossocial da PADF, José Amaral, falou sobre os “Protocolos de
Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo: Escuta Ativa e Fluxo de
Atendimento”. A programação finalizou com atividades práticas e debate sobre os
temas abordados.
Para
o juiz Federal do Trabalho, Eduardo Ferraz, a ampliação do acesso à Justiça
exige a informação, conscientização e garantia dos direitos em geral,
juntamente com ações conjuntas de diversos órgãos.
“No
Brasil, especialmente na Amazônia, só será possível extinguir o trabalho
degradante e análogo à escravidão, com uma ação planejada e coordenada
envolvendo diversos órgãos públicos. A iniciativa da Fundação Pan-Americana
para o Desenvolvimento e do MPT é uma ação digna de nota e elogio,
especialmente considerando que planta uma semente de interligação entre
diversos órgãos públicos”, enfatizou.
A
atividade de formação e sensibilização contou com a participação de
representantes da rede de atendimento socioassistencial do município, entre
elas o Conselho Tutelar, Centro de Referência Especializado de Assistência
Social (CREAS), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Secretarias
de Assistência Social, de Saúde e de Educação, além de servidores das Polícias
Civil e Militar, sociedade civil, entre outras instituições.
Fonte:
Prefeitura de São Félix do Xingu/Fato Regional



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