sábado, 6 de março de 2021

PAPA FRANCISCO TEM ENCONTRO HISTÓRICO COM PRINCIPAL LÍDER XIITA NO IRAQUE

(Foto: Jackson Erpen/Vatican News)

No segundo dia de sua visita ao Iraque, neste sábado (6), o Papa Francisco voou antes de o sol nascer para a cidade sagrada de Najaf, onde entrou em um beco estreito para realizar um encontro histórico com o principal clérigo muçulmano xiita do Iraque, o grande aiatolá Ali Al-Sistani. O episódio é simbólico não só porque é a primeira vez que um líder da Igreja Católica visita a nação de maioria muçulmana, mas porque um papa e um clérigo xiita sênior nunca tinham se reunido antes.

O compromisso é considerado uma tentativa de fortalecer o diálogo entre a Igreja Católica e o Islã. Em sua visita, Francisco procurou dar apoio aos cristãos no país de maioria xiita, exortou os líderes iraquianos a proteger todos os direitos das minorias e enviou uma mensagem de que ele próprio está de volta ao cenário global depois de um ano sem sair do Vaticano por causa da pandemia.

Ao final da conversa entre os líderes, que durou cerca de 1 hora e foi realizada a portas fechadas, Al-Sistani declarou seu compromisso com a paz e a segurança dos cristãos no país, onde eles devem viver como todos os iraquianos, "em paz e coexistência".

Mais de 95% dos iraquianos são muçulmanos, enquanto apenas 1% se identifica com as diferentes vertentes do cristianismo.

O aiatolá, que aos 90 é uma das figuras mais influentes no islamismo xiita dentro e fora do país do Oriente Médio, apelou aos líderes religiosos mundiais para que a sabedoria e o bom senso prevaleçam sobre a guerra. O encontro aconteceu na casa que Al-Sistani aluga há décadas perto da mesquita de Imam Ali.

De Najaf, Francisco viajou para as ruínas de Ur, uma das civilizações mais antigas do mundo e onde os textos sagrados dizem que nasceu o profeta Abraão -considerado o patriarca das três principais religiões monoteístas do mundo: o cristianismo, o islamismo e o judaísmo.

Com o vento do deserto soprando em sua batina branca, o argentino sentou ao lado de líderes muçulmanos (xiitas e sunitas), cristãos e yazidis (pequena minoria perseguida pelo grupo terrorista Estado Islâmico), mas também de sabeus e zoroastristas – comunidades milenares no país.

FOLHAPRESS/DOL

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